Notícia

A Crítica (AM)

Pesquisa na industria favorece os doutores

Publicado em 14 julho 2003

Não adianta só formar pesquisadores. Para avançar na ciência, o Brasil precisa de uma política agressiva de financiamento e incentivo à inovação, tanto nas universidades quanto nas empresas. "Mais do que iniciativas isoladas, só teremos desenvolvimento tecnológico quando houver uma determinação geral do governo nesse sentido. Não só do Ministério da Ciência e Tecnologia, mas de todo o governo", diz o físico Luiz Davidovich, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Instituto do Milênio de Informação Quântica. Uma das prioridades seria incentivar a pesquisa na indústria e, com isso, criar mercado de trabalho para os 6 mil doutores que estão sendo formados hoje no País. "Há uma dificuldade muito grande para acomodar esse pessoal", ressalta Davidovich. "Vejo jovens bem-formados que não conseguem emprego, recebem propostas de outros países e vão embora." Segundo ele, o governo poderia subsidiar projetos de pesquisa e desenvolvimento no setor privado e, depois, utilizar seu poder de compra para garantir a comercialização dos produtos. A descentralização da pesquisa também é essencial, frisa Davidovich. "Seria muito importante ter um parque de pesquisa nacional." Para isso, acentua o físico, é preciso aumentar os valores das bolsas de doutorado das agências federais, que hoje são muito inferiores aos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). E, ao mesmo tempo, criar institutos regionais de pesquisa e outros incentivos para fixação de pesquisadores em suas regiões de origem. O fortalecimento das fundações estaduais de amparo à pesquisa (FAPs) é uma necessidade. Davidovich alerta, entretanto, que a descentralização não deve ser traduzida como uma regionalização do apoio, o que poderia acentuar as desigualdades. A alocação de verbas federais, segundo ele, não pode estar vinculada a contrapartidas estaduais. "A atividade de pesquisa nos Estados com FAPs inexistentes ou ineficientes seria duplamente prejudicada e o governo federal perderia sua capacidade de intervenção."