Notícia

Jornal Brasil

Pesquisa multinacional

Publicado em 09 agosto 2013

Nenhum país pode mais se dar ao luxo de fazer ciência sozinho, nem mesmo aqueles que há muitos anos estão entre as maiores economias do mundo, como Estados Unidos ou Japão. Para Michiharu Nakamura, presidente da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia (JST), as colaborações internacionais são cada vez mais importantes e necessárias para o desenvolvimento científico e tecnológico.

Em busca de potenciais parcerias para o intercâmbio científico, Nakamura chefiou uma delegação que visitou a FAPESP, o Instituto Butantan, a Universidade de São Paulo, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e outras instituições no Estado de São Paulo de 15 a 17 de julho.

Na FAPESP, os executivos da JST foram recebidos por Celso Lafer, presidente, José Arana Varela, diretor-presidente do Conselho Técnico Administrativo, e Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico.

"Consideramos a FAPESP um parceiro potencial importante com quem queremos trabalhar conjuntamente", disse Nakamura. Em março deste ano, Lafer liderou uma delegação a Tóquio que se reuniu com os dirigentes da JST e a visita de Nakamura dá continuidade à aproximação entre as agências. FAPESP e JST deverão realizar um encontro sobre propriedade intelectual ainda em 2013.

"Pesquisa é uma atividade que demanda muito tempo e risco. Nem sempre dá os resultados esperados ou mesmo um resultado significativo. Os países têm que se unir para fazer pesquisa conjuntamente e é esse um de nossos principais objetivos na JST: a criação de um ecossistema global de inovação. Queremos globalizar a P&D (pesquisa e desenvolvimento)", disse Nakamura.

"No Japão, temos um número elevado de pesquisadores de alto nível, mas, ainda que alto, é um número insuficiente. Além disso, consideramos fundamental a "circulação de cérebros" e a construção de redes profissionais, por isso encorajamos os cientistas japoneses a trabalhar em conjunto com colegas de outros países", disse.

"O Brasil é um país muito importante para o Japão. É também, apesar da distância geográfica, um país muito próximo, por conta da emigração de japoneses para o Brasil no século 20 e das relações históricas entre os países. Temos programas de pesquisa em conjunto com o CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] e, desta vez, viemos ao país para conhecer melhor o sistema de ciência, tecnologia e inovação em São Paulo em busca de potenciais parcerias", destacou.

Nakamura explicou que, além das cooperações bilaterais, a JST passou recentemente a apoiar programas de pesquisa multilaterais - com o envolvimento de pesquisadores de três ou mais países.

"Um exemplo é o programa e-ASIA, que reunirá 18 países para lidar com questões globais como mudanças climáticas, doenças infecciosas, nanotecnologia e outras. Também vamos participar do Belmont Forum, no qual estaremos juntos com a FAPESP.

A JST é uma agência de fomento à pesquisa científica e tecnológica do governo japonês estabelecida em 1996 a partir da fusão do Centro de Informação em Ciência e Tecnologia do Japão (JICST), criado em 1957, com a Corporação de Desenvolvimento da Pesquisa no Japão (JRDC), de 1961.

Subordinada ao Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia (MEXT), a JST é uma das agências responsáveis pela implementação das políticas em ciência e tecnologia no Japão. Com um orçamento anual de 116 bilhões de ienes (em 2012, equivalentes a R$ 2,6 bilhões), a JST financia o desenvolvimento da pesquisa básica e aplicada, a transferência de tecnologia e de inovação, a disseminação de informações sobre ciência e tecnologia e a promoção da compreensão sobre ciência e tecnologia para a população geral.

A JST financia projetos em todas as áreas científicas e tecnológicas. Um dos exemplos dos projetos financiados pela JST é a pesquisa liderada pelo professor Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto. Yamanaka e equipe conseguiram gerar células-tronco pluripotentes induzidas com características que, até então, só eram possíveis de serem obtidas em células-tronco embrionárias. Pela descoberta, o cientista ganhou o Nobel de Medicina de 2012.

Na visita à FAPESP, Nakamura foi acompanhado por Takashi Ohama, diretor do escritório da JST em Washington, e por Soichi Kubota, gerente adjunto do Departamento de Relações Internacionais da JST.

Educação e comunicação

A JST tem na comunicação da ciência um de seus pilares, investindo cerca de 7% do orçamento anual da agência em programas de apoio à divulgação e educação científica.

Entre as iniciativas da JST para promover a comunicação científica, destacam-se o Science Channel (http://sc-smn.jst.go.jp), plataforma que oferece mais de 3,9 mil vídeos sobre ciência, na forma de reportagens, entrevistas, documentários ou desenhos animados.

Outra iniciativa de sucesso da JST em comunicação científica é o Miraikan, museu fundado em 2001 que recebe cerca de 1 milhão de visitantes por ano. No lugar de guias, o Miraikan conta com dezenas de comunicadores científicos, todos pesquisadores de diferentes áreas, que conversam com o público sobre as atrações.

A maior atração do Miraikan é o Tsunagari, instalação cuja principal parte é o Geo-Cosmos, globo terrestre de 6 metros de diâmetro formado por 10.362 painéis de LEDs orgânicos quadrados com 96 milímetros de lado cada um. O Geo-Cosmos exibe imagens e dados colhidos por satélites que, juntos, compõem a superfície e a atmosfera do planeta. O resultado é uma Terra virtual que muda a cada minuto. A FAPESP deverá realizar com o Miraikan, em 2016, uma atividade de divulgação científica a ser definida.

Nakamura também destaca como atividade fundamental na JST a promoção da ciência nos vários níveis do sistema educacional. "Para estimular a próxima geração de líderes da indústria, criamos oportunidades por iniciativas como as Superescolas de Ciência, acampamentos científicos, competições nacionais em ciência e matemática e diversas outras", disse Nakamura.

O programa Superescolas de Ciência conta atualmente com 201 estabelecimentos do ensino médio selecionados. Por meio do programa, a JST destina anualmente cerca de R$ 65 milhões para que as escolas possam organizar atividades que permitam a seus alunos conduzirem projetos de pesquisa. O programa é destinado a escolas que querem oferecer a seus alunos altos níveis de ensino em ciência por meio de atividades criativas.

Fonte: Agência FAPESP