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Diário da Franca

Pesquisa muda diretrizes para tratamento de esclerose sistêmica

Publicado em 08 fevereiro 2013

Para melhor avaliar o risco do transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) em pacientes com esclerose sistêmica, uma avaliação cardíaca minuciosa é fundamental, afirmam pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos em artigo publicado na revista The Lancet. Os resultados do estudo devem mudar as diretrizes para o tratamento da doença em todo o mundo.

Também conhecida como esclerodermia, essa enfermidade autoimune afeta progressivamente as células do tecido conjuntivo, podendo causar alterações vasculares e fibrose da pele e de órgãos internos, além de úlceras. O problema é relativamente raro, atingindo uma em cada 50 mil pessoas, mas pode ser fatal quando órgãos como pulmão, coração ou intestino são gravemente comprometidos.

“O tratamento convencional consiste em aplicações mensais de uma droga quimioterápica chamada ciclofosfamida – tóxica para as células do sistema imunológico, especialmente para os linfócitos, os mediadores da doença”, disse Maria Carolina Oliveira, uma das autoras do estudo e pesquisadora do Centro de Terapia Celular (CTC) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP instalado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP).

Mas, de acordo com Oliveira, essa terapia só consegue evitar a progressão da doença em uma pequena parcela de pacientes. Cerca de um terço dos portadores de esclerose sistêmica evolui para um quadro grave e tem indicação para o transplante – ainda considerado tratamento experimental.

“O objetivo é zerar o funcionamento do sistema imunológico para que ele pare de agredir as células do próprio organismo. Para isso, aplicamos uma quimioterapia agressiva, com doses altas de ciclofosfamida associadas a outra droga chamada globulina antilinfocitária”, explicou Oliveira.

Antes do procedimento, células-tronco da medula óssea do próprio paciente são coletadas e congeladas. Após a quimioterapia, esse material é reinfundido no organismo para que a produção de células de defesa seja reiniciada.

Esse tipo de abordagem terapêutica também tem sido usado para o tratamento de alguns tipos de câncer, como linfoma, e outras doenças autoimunes, entre elas o diabetes tipo 1 (leia mais em agencia.fapesp.br/16321).