Notícia

Jornal do Commercio (PE)

Pesquisa mostra que reduzir calorias aumenta a memória

Publicado em 04 fevereiro 2009

BERLIM – Cientistas da Universidade de Münster, na Alemanha, concluíram um estudo sobre os efeitos positivos da restrição de calorias na memória, de acordo com informações da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A pesquisa, realizada com 50 pessoas com idade média de 60 anos, confirmou testes anteriores feitos em animais. A pesquisa deve ser publicada em breve na edição da revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

A cientista Veronica Witte, do Departamento de Neurologia da universidade alemã, e colegas acompanharam durante três meses os participantes do estudo, que foram divididos três grupos. O primeiro teve reduzida a ingestão de calorias em 30%, o segundo grupo teve aumentado o consumo de ácidos graxos insaturados em 20%. O terceiro grupo, de controle, não teve alteração no padrão alimentar anterior.

O grupo de dieta com restrição calórica apresentou um aumento nas notas dos testes de memória dados pelos pesquisadores, enquanto os outros dois grupos não mostraram alterações. Os pesquisadores ainda verificaram no grupo que teve redução de calorias a diminuição nos níveis de insulina e nos marcadores de inflamação. Para os pesquisadores, esse resultado abre caminho para explorar a função da insulina e da inflamação no declínio cognitivo em idosos.

De acordo com a Pnas, estudos sugerem que a restrição calórica em animais protege as funções neurais. Em humanos, a observação feita com base na dieta dos moradores da cidade de Okinawa (Japão), também verifica os resultados positivos sobre o envelhecimento e longevidade. Já a obesidade, relacionada ao consumo de altas fontes calóricas, parece contribuir para o declínio cognitivo do processo de envelhecimento.

ALZHEIMER

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, pesquisadores descobriram que remédios para tratar diabete tipo 2 podem representar nova esperança para quem sofre de Alzheimer. Os estudiosos conseguiram impedir o desenvolvimento da doença em neurônios cultivados em laboratório O trabalho foi publicado segunda na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

A relação entre diabete e Alzheimer já é conhecida há cinco anos Diabéticos têm mais chances de desenvolver a doença. No caso de diabete tipo 2, comum em idosos e obesos, o pâncreas produz o hormônio insulina, mas ele não é absorvido pelas células, que se tornam resistentes à substância. No Alzheimer, ocorre algo parecido, mas apenas nos neurônios. É como se o cérebro sofresse de diabete tipo 2. Alguns pesquisadores já chamam a doença de diabete tipo 3.