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Pesquisa mostra que 56% dos vestibulandos têm sintomas de ansiedade

Publicado em 16 dezembro 2008

Um levantamento com 1.046 vestibulandos do Rio Grande do Sul mostrou que 56,3% deles apresentam sintomas de ansiedade, em maior ou menor grau. As candidatas do sexo feminino se mostraram mais ansiosas do que os homens.

A ansiedade é um estado emocional caracterizado por um conjunto de reações psicológicas e fisiológicas relacionadas a situações de perigo. Segundo o estudo, os cinco sintomas mais freqüentes identificados com o problema foram nervosismo, medo de que aconteça o pior, incapacidade de relaxar, sensação de calor e indigestão.

O fato de acordar muito cedo pode atrapalhar o desempenho escolar dos adolescentes. Um novo estudo da Universidade de Kentucky, nos EUA, indica que, quando o início das aulas passa a ser entre 8h30 e 9h, alunos do ensino médio melhoram sua capacidade de permanecerem acordados e alertas durante a aula.

Avaliando aproximadamente 10 mil estudantes, os pesquisadores descobriram que menos de 36% dormem pelo menos oito horas por noite quando suas aulas começam entre 7h30 e 8h. Porém, quando o início foi atrasado em uma hora, essa taxa aumentou para 50%. Além disso, essa medida levou a uma redução de 16,5% nos acidentes de trânsito causados por motoristas com idades de 17 a 18 anos, "por causa do aumento do sono e da melhora associada na atenção".

Os participantes foram selecionados em quatro cursos pré-vestibulares na cidade de Porto Alegre (RS). Os resultados do trabalho foram publicados na Revista de Psiquiatria Clínica, do Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

"Em seus diferentes níveis, a ansiedade pode ser saudável e motivar os candidatos a estudar mais, fazendo com que se preparem melhor para o vestibular. Mas a ansiedade também é uma doença que prejudica o rendimento, a concentração e a memorização", disse à Agência Fapesp um dos autores do trabalho, o médico psiquiatra Daniel Guzinski Rodrigues, pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).

A avaliação dos candidatos foi realizada por meio de um questionário estruturado e pela aplicação da Escala Beck de Ansiedade (BAI), que mede a intensidade dos sintomas relacionados à ansiedade. São aferidos sintomas como incapacidade de relaxar, aceleração do coração, dificuldade de respirar, nervosismo, sensação de sufocação, tremores nas mãos e medo de perder o controle.

Os entrevistados pelo trabalho, realizado por Rodrigues e pela psicóloga Cátula Pelisoli, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tinham idade média de 18 anos, 88,1% apenas estudavam e 1,6% estudavam e trabalhavam.

Além da escolha decisiva por uma profissão ocorrer na adolescência, outro fator que contribui para a ansiedade, segundo os autores do estudo, é o fato de os processos seletivos se caracterizarem por uma acirrada competição que não depende apenas do próprio esforço do candidato, mas também do desempenho dos outros. Segundo o pesquisador, a habilidade para lidar com o estresse e a ansiedade é um elemento tão importante quanto o próprio conhecimento acadêmico

O estudo mostrou que, durante a fase de preparação para o vestibular, o adolescente enfrenta, além das incertezas relacionadas ao seu desempenho no dia da prova, a forte cobrança da família e de amigos, situação que também acaba contribuindo para o surgimento da ansiedade que, em muitos casos, ultrapassa os limites da normalidade e prejudica o desempenho do candidato.

Os cursos cujos candidatos apresentaram maiores níveis de ansiedade foram publicidade e propaganda, farmácia, medicina veterinária, medicina e odontologia.

De todos os participantes da amostra, 947 (90,5%) responderam ainda que o vestibular alterou seus hábitos de vida, sendo as principais modificações na vida social com amigos, no relacionamento familiar, no sono, na atividade física e na alimentação.