Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Pesquisa mostra o efeito nocivo do radônio

Publicado em 07 junho 2000

Até o final do ano, uma pesquisa inédita na Baixada estará divulgando os primeiros resultados sobre o efeito nocivo que o gás radônio provoca ao homem quando emitido em amantes fechados. À pesquisa está sendo conduzida pelo estudante Alexandre Botari, do 4° ano de Engenharia Civil da UniSantos. Com uma bolsa de iniciação científica concedida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp), Alexandre escolheu como pontos de análise alguns túneis da Cidade, como o Rubens Ferreira Martins, o da Sabesp, e os do Sistema Anchieta/Imigrantes (SAI). Botari explica que o radônio é um gás nobre normalmente encontrado na natureza e uma das ramificações do urânio, que é radioativo. "Ele pode partir de qualquer coisa da natureza, como as próprias pedras, e aparece concentrado em ambientes fechados". Por conta disso, no início do século muitos trabalhadoras de minas na Alemanha morreram ou contraíram doenças, uma vez que aspirar o radônio por um tempo prolongado e em altas concentrações é de grande periculosidade. A pesquisa consiste em instalar filmes de policarbonato nos pontos onde há suspeita de concentração do gás. Os filmes ficarão afixados durante aproximadamente dois meses. Depois de revelados, indicarão o total de emissões registradas naquele período. Botari tem como orientador o professor Luiz Paulo Geraldo, da UniSantos. Ele pondera que o efeito do radônio no ser humano é uma preocupação mundial, especialmente quando o ambiente é fechado ou tem pouca circulação. "Em altas concentrações, ele pode provocar câncer de pulmão". Na Baixada, o trabalho é pioneiro. A bolsa da Fapesp custeia parte de suas despesas pessoais e funciona como um estímulo a jovens cientistas. Por mês, serão R$ 330,00. O material necessário ao trabalho será patrocinado pela própria UniSantos. Alexandre Botari diz que a Baixada é "um ambiente rico para pesquisas", e "que ainda há muito o que fazer".