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Porkworld

Pesquisa mostra o descaso nos sistemas de tratamento de efluentes animais

Publicado em 22 fevereiro 2006

Um levantamento das condições de operacionalidade de propriedades suinícolas do Estado de São Paulo mostrou que 77% das granjas analisadas não possuem sistemas de tratamento de efluentes animais, também chamados de dejetos, o que gera um grande risco de degradação ambiental devido ao seu alto potencial poluidor. A pesquisa é fruto de uma tese de doutorado elaborada no Núcleo de Pesquisa em Ambiência (NUPEA) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) em Piracicaba-SP.
Foram contatadas inicialmente 69 granjas por meio de questionários que pediam informações sobre o número de animais, produção, utilização e volume dos efluentes aplicados, além dos problemas e dificuldades encontradas no manejo e sistema de aplicação destes. As propriedades que não utilizam nenhum sistema de tratamento aplicam os efluentes diretamente no solo, com o intuito de aproveitá-lo como adubo orgânico. Mas sem um plano técnico de manejo e tratamento, e considerando a alta toxicidade dos dejetos, esse processo causa a
poluição de rios e riachos, reduz o teor de oxigênio dissolvido na água, provoca a morte de peixes, a disseminação de patógenos, mau cheiro e contaminação de águas potáveis. 

Tratamento e reuso do efluente em culturas agrícolas
A segunda fase da pesquisa priorizou o estudo de uma determinada propriedade localizada no município de Salto-SP e considerada modelo no Estado. O objetivo desta etapa foi analisar a água residuária no sistema de produção e de tratamento de efluentes e seu reuso no
cultivo de pastagens agrícolas. Como não existe ainda uma legislação específica que trate dos efluentes da produção animal, a pesquisadora baseou-se em legislações mais gerais, como o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e a USEPA (US Environmental Protection Agency), cujas regras valem principalmente para o tratamento de esgotos e efluentes industriais, bem menos tóxicos que os da produção animal.
A partir dessas normas, ela estabeleceu limites quanto aos elementos químicos, físicos e microbiológicos das amostras e assegurou a viabilidade do lançamento da água residuária em rios e seu reuso na nutrição de culturas agrícolas. Os resultados mostraram que o nível de tratamento considerado "ambientalmente ideal" é superior ao que o produtor considera vantajoso economicamente, pois o efluente também perdeu grande parte de sua eficiência quando reutilizado como fertilizante agrícola.
A tese será defendida no dia 13 de março, às 8 horas, na seção de pós-graduação da Esalq/USP. O professor Iran José Oliveira da Silva foi o orientador do estudo, que estendeu-se de maio de 2002 a dezembro de 2005, com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
O site do NUPEA disponibiliza a íntegra da tese, um artigo da pesquisadora e uma matéria sobre o assunto.
Tese em PDF: http://www.nupea.esalq.usp.br/Tesemi2006.pdf

Fonte: Porkworld.la - Brasil - NUPEA