Notícia

Gazeta Mercantil

Pesquisa mostra como vota o brasileiro

Publicado em 03 julho 1998

Por Ferdinando Casagrande - de São Paulo
Um grupo de pesquisadores do departamento de Ciências Políticas e Estatística da Universidade de São Paulo, coordenados pelo cientista político José Augusto Guilhon Albuquerque, passou os últimos 11 anos estudando o comportamento do eleitorado em todo o País. A intenção era decifrar as motivações que levam o cidadão a escolher seu candidato. O diagnóstico final jogou por terra o mito de que o brasileiro não sabe votar: ele não apenas sabe bem o que quer, como vota com coerência e tem convicções políticas. "O eleitor vota dentro de padrões bem claros, é moderado e quer mudanças com ordem e estabilidade", explica Albuquerque. "Ao contrário do que se pensa, ele sabe diferenciar os partidos de esquerda, de direita e de centro." O estudo, denominado "Tipologia do Eleitorado Brasileiro", apontou que os eleitores seguem, geralmente, três fatores de orientação na hora de votar. O primeiro é a identificação com o candidato, que pode ser alguém de seu trabalho, região ou partido. O segundo é a oposição, em que o eleitor escolhe alguém que tenha adversários semelhantes aos dele. O terceiro é a expectativa de desempenho, em que ele escolhe o candidato que, acredita, realizará o que ele espera. "Esse último fator foi determinante nas eleições, onde candidatos da direita e do centro venceram, como Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor", explica o professor. Em 1989, dos 544 eleitores pesquisados que seguiram essa estratégia, 80% votaram em Collor, Em 1994, dos 1.103 pesquisados que votaram no mesmo estilo, 71,3% escolheram Fernando Henrique. "O eleitor do PT é fiel e vota por identidade", explica Albuquerque. Foi assim nas duas eleições que Lula disputou: em 89, dos 844 pesquisados que votaram por essa estratégia, 48,4% estavam com o PT. Em 94, apenas 350 dos pesquisados seguiram esse caminho, dos quais 32,6% optaram por Lula. A pesquisa patrocinada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), ouviu 2.400 entrevistados após a eleição de 1989 e 3.000 eleitores em 1994. Outros locais no mesmo período também foram pesquisados.