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Pesquisa mapeia ação do parasita da malária

Publicado em 14 agosto 2006

Cientistas do Brasil, França e Alemanha fizeram uma importante e surpreendente descoberta relacionada à malária. Após longos estudos, o grupo mapeou ação do parasita do gênero Plasmodium, causador da malária, no ser humano.
A partir das pesquisas, eles identificaram como o agente faz para driblar a atenção do sistema imunológico do hospedeiro para chegar até a corrente sangüínea e, a partir dali, deflagrar a infecção. A descoberta está publicada na revista Science deste mês, segundo informação das agência Amazônia e FAPESP.
A malária é problema de saúde pública em mais de 100 países, onde cerca de 2,4 bilhões de pessoas (40% da população mundial) convivem com o risco de contágio. No Brasil, a doença pode tornar-se neste século um flagelo na Amazônia, a exemplo do que ocorreu há 100 anos, segundo o estudo Malária, Amazônia e Desenvolvimento, publicado em maio na revista Scientific American Brasil. De acordo com o trabalho a situação mais alarmante de avanço da malária na Amazônia é o Acre, com aumento de 153% de 2003 para 2004, e de 63% de 2004 para 2005.

Células do fígado
A revista Science informa que os cientistas já sabiam que o processo da infecção da malária começa nas células do fígado. Mas não conseguiram entender com precisão como o parasita fazia para passar das células do tecido hepático para os glóbulos vermelhos do sangue. O artigo está publicado aqui. Para lê-lo é preciso ser assinante da revista.
Os cientistas descobriram que o plasmódio, ao entrar nas células no fígado do hospedeiro após a picada do mosquito, começa a se reproduzir de forma assexuada. Nessa fase, eles são chamados de merozoítos. São eles que vão desencadear todo o ciclo da malária nos mamíferos.
A revista descreve que a ação parasita ocorre assim: primeiro, os merozoítos matam as células do tecido do fígado onde estão hospedados. Esse processo faz com que esses conjuntos celulares sejam liberados na corrente sangüínea para serem, posteriormente, eliminados. É nessa etapa que surge o truque parasitário descoberto agora.
A malária é a infecção parasitária com maior número de vítimas por ano. De 300 milhões a 500 milhões de pessoas são afetadas pela doença, 80% delas na África subsaariana. A doença é responsável por cerca de 20% da mortalidade infantil na região.