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Jornal Entrevista

Pesquisa já é tradição nas universidades públicas

Publicado em 01 outubro 2010

Por Rose Marques

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), ambas instituições públicas com campi na Baixada Santista, têm tradição em pesquisa, em graduação e pós-graduação. Isso se reflete na quantidade de alunos pesquisadores. Ambas são inscritas na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A Fapesp é uma instituição estadual de fomento e oferece bolsas de R$ 474,00 mensais. Já o CNPq é um programa nacional que repassa as bolsas no valor de R$ 360,00 em cotas para as universidades, que então as redistribuem internamente. E o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). Em ambos os casos, o processo de aprovação dos projetos é parecido. São levados em conta o histórico escolar do aluno, a relevância da pesquisa e qualificação do professor, que precisa ter doutorado e estar inscrito nos programas de bolsa.

Na Unesp, dos 219 alunos matriculados, 22 ganham bolsas de Iniciação Científica, mas a quantidade de pesquisas realizadas é maior, pois o número de estudantes que não ganham bolsa não é registrado formalmente.

Na Unifesp, 70% dos estudantes realizam projetos, com ou sem bolsa, e, de modo geral, estes estudos acabam sendo aproveitados como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), exigido nos seis cursos de graduação. Cerca de 100 alunos desenvolvem pesquisa com bolsa de estudos. No caso em que o aluno não recebe bolsa, não há formalização junto à Comissão de Pesquisa e o próprio orientador emite a declaração de conclusão do projeto. Já os alunos contemplados com o PIBIC são obrigados a inscrever seus trabalhos no Congresso Anual de Iniciação Científica, e, a partir desta participação, recebem certificado, concedido pela pró-reitoria da universidade. A Fapesp, por sua vez, oferece uma declaração própria.

Na Unesp, a participação em congressos não é obrigatória, mas altamente estimulada. O aluno pode ter vários trabalhos publicados ao longo da pesquisa e um dos objetivos da participação em congressos é divulgar este conhecimento produzido.

Uma das exigências feitas aos alunos é a da produtividade da pesquisa, que se traduz em publicação de material em revistas especializadas. Os professores também são avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), de acordo com o número de trabalhos publicados. Além disso, a pesquisa exige tempo e dedicação. Os alunos podem iniciar a Iniciação Científica a partir do primeiro ano de graduação, solicitando bolsa da Fapesp em qualquer época do ano, ou observando o calendário estipulado pelo CNPq. As bolsas têm duração de um ano, sendo renováveis por mais um ano. Alguns professores, tanto da Unifesp quanto da Unesp, exigem que os alunos tenham cursado alguns créditos na área que vão estudar para poder começar a pesquisa, mas esta não é regra geral.

A professora do curso de Ciências Biológicas da Unesp, em São Vicente, Karine Delevati Colpo, orienta cinco projetos de Iniciação Científica. Para ela, desenvolver pesquisa durante a graduação prepara melhor o aluno tanto para o exercício da profissão, quanto para a pós-graduação. "O aluno de Iniciação Científica amadurece profissionalmente e se prepara para o mercado de trabalho, seja no mercado mesmo, seja na vida acadêmica," declara.

Segundo o coordenador da Comissão de Pesquisa e Pós-graduação da Unifesp, Daniel Araki Ribeiro, o programa de pós-graduação acaba absorvendo ex-alunos de graduação que desenvolveram pesquisa. "A Iniciação Científica serve para isso, teoricamente, para oferecer um contato científico ao aluno para que ele ingresse no meio acadêmico, se prepare para o mestrado e siga carreira acadêmica. O aluno acaba se aprofundando no conhecimento e tem um contato mais direto com a ciência, além de desenvolver a atividade reflexiva, a discussão conceituai e o refinamento de conceitos. Mas a principal função da Iniciação Científica é amadurecer o aluno para a pós-graduação." Para Ribeiro, a universidade pública tem o compromisso não apenas de oferecer cursos de graduação e prestação de serviço à comunidade, mas principalmente, produzir conhecimento científico e tecnológico, e nisto reside a importância da pesquisa, seja em nível de graduação, por meio dos projetos de Iniciação Científica, ou seja na pós-graduação.