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Pesquisa + inovação = exportação ²

Publicado em 01 novembro 2007

No Brasil, a grande parte das pesquisas científicas ainda é feita nas universidades estaduais e federais, mas novas empresas privadas investem na fabricação de produtos inéditos para atingir o mercado interno e externo. Isso vem acontecendo nas várias áreas do conhecimento, principalmente em pesquisas de biotecnologia, química, física, eletrônica e computação. A região de Campinas concentra grande número dessas empresas, pela demanda de mão-de-obra altamente qualificada e pela proximidade com a Unicamp, que incentiva o surgimento dessas empresas através da Agência de Inovação Inova. As inovações chegam ao mercado inter nacional através da vendas de produtos e de serviços ou do licenciamento de patentes.

O Instituto de Química da Unicamp é um grande exemplo de aplicações de pesquisas científicas que saem da universidade para o mercado internacional. O professor Fernando Galembeck ficou famoso ao criar um produto novo para a indústria de tintas. O pigmento branco feito com fosfato de alumínio, em substituição ao óxido de titânio, surgiu através de pesquisas na área de nanotecnologia. O novo produto, que foi patenteado pela Unicamp, utiliza um sistema mais simples de produção, com re ações menos agressivas e, portanto, menos poluente e mais barato. A empresa multinacional Bünge, há 100 anos no Brasil, tem o licenciamento da patente para a produção e comercialização do novo pigmento, que já foi enviado para 25 países.

A nova invenção do Instituto de Química é uma borracha que utiliza argila bem distribuída entre as nano partículas, que melhora a qualidade do produto. Outra invenção, que não pode ser revelada, também pro mete causar uma revolução no mercado. Já uma antiga parceria com a Pirelli, produziu os materiais de isolamento de cabos de alta tensão que foram utilizados na construção do Eurotúnel, na década de 90, ligando a Inglaterra à França, através de um túnel abaixo do mar no Canal da Mancha. "O importante é ser inovador, quanto mais novo o produto, melhor o preço e não há concorrência", afirma Galembeck.

Na região de Campinas, também funciona o Pólo de Alta Tecnologia, que reúne empresas estatais, priva das e mistas, como o CPqD e o LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron). O CPqD começou como um empresa estatal para o desenvolvimento de tecnologia nacional nas áreas de telecomunicação e tecnologia de informação. Após o processo de privatização, em 2000 foi criado o CPqD USA, na Flórida, com capital 100% nacional, para competir no mercado americano, onde surgiram novos clientes e parcerias.

O LNLS é o único acelerador de partículas desse gênero no Hemisfério Sul. Através da luz síncrotron, uma intensa radiação eletromagnética produzida por elétrons de alta energia, os cientistas pesquisam novas propriedades físicas, químicas e biológicas, em átomos e moléculas. Os experimentos podem produzir novos medicamentos e materiais de alto desempenho para indústrias, mais rentáveis e menos poluentes. O LNLS realiza experimentos em materiais para pesquisas de universidades e de empresas como a Petrobras, Bosh e HP.

A seguir, alguns casos de sucesso de novas empresas de alta tecnologia na região de Campinas:


Griaule

E uma empresa especializada no reconhecimento de identificação através d& impressões digitais. Surgiu em 2002, quando venceu um edital de incubação de empresas na Unicamp, onde ficou até 2005. A Griaule desenvolveu um sistema próprio de identificação, através de uni software e um visor de impressões digitais. Hoje presta serviços em 80 países e tem escritórios na Alemanha e nos Estados Unidos, em San José, no Vale do Silício californiano.

"O Brasil e os Estados Unidos representam 40% das vendas. No Brasil o volume é maior, mas nos Estados Unidos é um pouco mais rentável", diz José Alberto Canedo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento. Segundo ele, a empresa vem apresentando um crescimento médio anual entre 20% e 40%. "Hoje nós dominamos o "esta do da arte" e temos um bom preço no mercado internacional, o que nos dá grande competitividade".

Entre os novos grandes clientes internacionais estão um estado americano o governo do Vietnã, em um projeto de alcance nacional. Canedo explica que a maior dificuldade da empresa é na área de recursos humanos, para encontrar pessoas com capacidade individual e para o trabalho em equipe. A empresa tem 22 funcionários, que trabalham em computadores nas próprias residências, ou na empresa que funciona em uma casa simples, equipada com computadores e acesso à Internet, no estilo "Vale do Silício". Desde o início, a empresa teve uma preocupação para o atendimento global e as vendas são feitas, na maior parte, pela Internet, através do site apresentado em quatro idiomas: inglês, alemão, espanhol e português.


FiberWork

E uma empresa de alta tecnologia na área de fibras óticas. Surgiu em 1999, quando o pesquisador Sérgio Barcelos terminou o curso de pós-doutorado na Inglaterra veio para a Unicamp, como professor convidado. Com a carência de profissionais da área no Brasil, montou a empresa, que tem caráter inovador na criação de produtos e serviços. Na área de serviços, a FiberWork é a única na América Latina que faz medi das e análises detalhadas de redes óticas. Com o laudo dos parâmetros, as empresas podem planejar os investimentos de materiais adequados. Em maio de 2007 foi fechado um contrato de serviços para a primeira empresa privada de redes óticas da Turquia. No Brasil, os principais clientes são as empresas de telefonia, como a Telefônica e a Telemar.

Na área de produtos, a FiberWork criou um único equipamento que faz as todas medições minuciosas das redes. Ele é direcionado para centros de pesquisa testarem suas experiências "Esse equipamento já está patenteado em seis países e está em fase final para ser comercializa do no mercado internacional, já que no Brasil não há muitos centros de pesquisas nessa área", afirma o físico Elso Rigon, da FiberWork. A empresa também criou um aparelho que pode transmitir voz através de fibras óticas, uma espécie de "telefone ótico", ideal para o trabalho de manutenção das redes ópticas em regiões distantes, onde não há sinal de celular. No Brasil o aparelho já está sendo vendido e no México está sendo fechado o primeiro contrato internacional. Para a comercialização desses novos produtos, a empresas montou uma base na Califórnia, nos Estados Unidos e aguarda a aprovação dos órgãos governamentais para o início das vendas.


Alellyx e CanaVialis

São duas empresas da divisão No vos Negócios do Grupo Votorantim. A Alellyx foi criada em 2002 com uma equipe de diretores formado por pesquisadores de universidades estaduais paulista que participaram do Projeto Genoma da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). O objetivo da empresa é o estudo de melhoramento genético, através de tecnologia de biologia molecular, de produtos importantes economicamente para o Brasil, como a cana-de-açúcar, eucalipto e a laranja. O foco das pesquisas é a criação de plantas mais produtivas e mais resistentes. Uma das pesquisas em andamento é o desenvolvi mento de uma espécie de cana transgênica, com maior teor de açúcar, entre 60% a 80% a mais do que as convencionais. E a primeira cana transgênica do mundo. "Estamos em fase de testes preliminares com a colocação de genes dentro das 10 variedades mais usados", diz a diretora Ana Cláudia Rasera da Silva. As pesquisas já resulta ram em pedidos de 12 patentes, em vários países com grandes mercados. O objeto é criar variedades e cobrar royalties pelo uso e licenciamento tecnológico. Hoje esse tipo de pesquisa é estratégico, com o aumento do interesse mundial pelo etanol.

A CanaVialis foi fundada em 2003, para realizar o cruzamento de espécies de cana através da hibridização. O objetivo é aumentar a produção de açúcar e etanol. Os cruzamentos já produziram variedades que produzem 15% a mais de açúcar por hectare. Esses tipos de cana já são comercializados no Brasil e no exterior. "A venda de mudas já atinge 16% da produção nacional e entre os clientes está a Cozan, maior produtor de açúcar e etanol de cana-de-açúcar do mundo", diz o presidente Ricardo Madurei ra. No mercado internacional, foram fechados contratos na Angola e no México. Com o desenvolvimento da tecnologia para extrair etanol da celulose, do bagaço da cana, a produtividade deve quase triplicar e a CanaVialis já pesquisa o desenvolvimento de tipos de cana com mais celulose.