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Pesquisa inédita usa imagens aéreas para estimar erosão do solo em lavouras

Publicado em 12 janeiro 2020

Iniciativa do IAC, da Secretaria de Agricultura, amplia uso da tecnologia, que pode facilitar e agilizar o monitoramento das plantações

Pesquisa inédita no Brasil conduzida pelo Instituto Agronômico (IAC), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, estima a ocorrência de erosão do solo em áreas cobertas por plantios. A avaliação é feita com o uso de imagens aéreas, geradas por Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTS), também conhecidos como drones.

O estudo é realizado em Campinas e dá um passo além no uso desse tipo de tecnologia, que já é adotada para gerar informações diversas, como volume de reservatórios, quantidade de espécies vegetais em certa região, falhas em lavouras e também para estimar produções agrícolas. Mas a aplicação da tecnologia para estimar o processo de erosão do solo onde já há culturas instaladas demanda novos conhecimentos e nunca foi conduzida no país.

“O desafio é conseguir aplicar a tecnologia de mapeamento aéreo para estimar erosão em área já cultivada. Em escala maior é um desafio, ninguém avançou nesse sentido ainda”, afirma o pesquisador responsável, Bernardo Cândido, que já validou essa técnica em solo descoberto, durante sua pesquisa de doutorado. Cândido ingressou no IAC em março de 2019, como pós-doutor, com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A tecnologia possibilita o processamento de imagens em software específico, gera mapas de relevo da área e de uso da terra, além de qualificar a região mais propícia para cada atividade, por exemplo, construção de reservatório de água ou instalação de lavoura.

Na pesquisa no IAC, está sendo usado um drone quadricóptero de baixo custo, e um asa fixa de última geração importado da Suíça, por cerca de R$ 270 mil. O asa fixa é acompanhado de uma câmera termal, que possibilita estimar o teor de água na planta, e tem como objetivo monitorar o estresse hídrico das culturas em diferentes épocas.

No IAC, esse estudo será específico em citros. Segundo o pesquisador, na América do Sul há poucas unidades dessa câmera sendo utilizada. Os pesquisadores pretendem avaliar como se dá a condução dos experimentos e a precisão das medições em duas condições: ao usar um veículo mais acessível e outro de alto custo.

A equipe está definindo as áreas onde serão feitos experimentos com esses recursos para avaliar a produtividade agrícola e monitorar o processo erosivo nas áreas de cultivo. Em Catanduva, interior paulista, foram instalados experimentos visando estimar a erosão hídrica em carreadores de cana-de-açúcar, utilizando VANT e imagens aéreas.

O grupo do IAC mantém intercâmbio com cientistas da Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra e Espanha, que também têm interesse em informações sobre erosão em áreas plantadas. A pesquisa no IAC é direcionada para promover o avanço dessa tecnologia não somente em erosão de solo, mas também em outros aspectos da agricultura. “Já está em andamento um projeto para validar a estimativa de produção em citros e cana-de-açúcar, mas ainda é inicial”, diz Cândido.