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Pesquisa inédita liga produção do etanol ao efeito estufa

Publicado em 03 maio 2011

Por Suzana Amyuni

Uma pesquisa pioneira realizada no programa de pós-graduação em Microbiologia Agrícola da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP), pela estudante Bruna Gonçalves de Oliveira, apontou que a vinhaça - subproduto da cana-de-açúcar - aumenta em aproximadamente 15 % as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) na fase agrícola de produção do etanol.

O estudo, realizado entre 2008 e 2010, revela que os resultados obtidos confirmam a hipótese de que a vinhaça é um importante emissor de metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), que juntamente com o dióxido de carbono (CO2), são os principais Gases do Efeito Estufa. "A proposta era exatamente quantificar as emissões de gases de efeito estufa e ver qual o gás de maior participação", explica Bruna.

O CH4 foi responsável por 99,8% das emissões totais, em CO2 equivalente (CO2 eq)."Conseguimos esse resultado, utilizando os valores obtidos nesse estudo e comparando com a quantidade estimada de GEE emitido por litro de etanol produzido realizada por pesquisadores da Unicamp", conta a pesquisadora.

De acordo com a pesquisadora, para estimar a quantidade de GEE emitida pela vinhaça por litro de etanol produzido foi realizado um cálculo, considerando uma produtividade média da cana-de-açúcar de 90 toneladas por hectare e rendimento de 80 litros de etanol por tonelada de cana moída (dados fornecidos pela usina). Esta estimativa indicou emissões da ordem de 0,069 kg de CO2 eq por litro de etanol produzido. "Tivemos que fazer várias adequações, como a metodologia e a cromatografia gasosa", diz.

A pesquisa avaliou as emissões de GEE provenientes da vinhaça ao longo do canal de transporte e após aplicação no solo em fertirrigação, em uma usina na região de Piracicaba (SP). "É importante lembrar que esta é uma análise pontual que reflete as características de uma determinada usina. Apesar da pesquisa apresentar grande avanço científico, já que não existem outros dados na literatura, é necessária a realização de outros estudos avaliando as emissões de GEE resultantes da vinhaça em diferentes condições.

A pesquisa foi financiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e orientada pelos professores Brigitte Josefine Feigl e Carlos Clemente Cerri, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA/USP).

"O estudo agora poderá ser utilizado como linha de base em pesquisas futuras visando à redução das emissões de gases do efeito estufa provenientes da vinhaça, contribuindo assim, para a redução da emissão em todo o processo produtivo do etanol", finaliza Bruna.