Notícia

Jornal Cidadão (Fernandópolis, SP) online

Pesquisa indica que chikungunya pode afetar sistema nervoso central

Publicado em 27 agosto 2020

Um estudo realizado por uma equipe internacional de pesquisadores com apoio da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - revela que a infecção pelo vírus chikungunya pode ter manifestações ainda mais graves que os sintomas característicos da doença, como febre aguda, cefaleia, erupção cutânea e intensas dores articulares e musculares. A análise, realizada por 38 pesquisadores da UFC - Universidade Federal do Ceará – da USP - Universidade de São Paulo – membros do Ministério da Saúde, Imperial College London e Universidade de Oxford mostra que o patógeno pode infectar também o sistema nervoso central e comprometer as principais funções motoras.

“O estudo trouxe novos entendimentos importantes sobre a doença e o vírus da chikungunya. Além da possibilidade de o vírus infectar o sistema nervoso central, identificamos também que a letalidade da doença é maior em adultos jovens e não em crianças ou idosos, como se costuma prever em surtos da doença”, diz William Marciel de Souza, pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e coautor do artigo publicado na revista Clinical Infectious Diseases.

“A investigação mostra ainda que pacientes com diabetes parecem morrer com frequência sete vezes maior durante as fase aguda e subaguda da doença [entre 20 e 90 dias após serem infectados] que indivíduos sem a comorbidade”, acrescenta.

A pesquisa foi conduzida no âmbito do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE). Também é fruto do projeto de pós-doutorado de Souza, realizado em parte na Universidade de Oxford, no Reino Unido, por meio de uma bolsa de estágio no exterior. O projeto realizado por pesquisadores de diferentes instituições contou ainda com auxílio do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

(Agência Fapesp)