Notícia

A Tarde (BA)

Pesquisa identifica os genes que provocam o enfarto

Publicado em 17 fevereiro 2009

O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia conseguiu identificar os genes ativos no processo de enfarto cardíaco, após dois anos de pesquisa. Dos 25 verificados, oito deles são grandes candidatos a serem aplicados em exames de genética em laboratório. Inédito no País e um dos pioneiros desse tipo no mundo, esse trabalho está sendo desenvolvido por médicos brasileiros e permitirá a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças hereditárias do coração com mais precisão. Os dados foram apontados ontem por levantamento feito pelo órgão, que é ligado a Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com as universidades Estadual de São Paulo (USP) e deCompostela (Espanha) e institutos Ludwig (Suíça) e Príncipe Felipe de Valença (também da Espanha). Dos dez homens que sofreram enfarto, com idade entre 35 e 65 anos, metade deles sofreu o problema pela primeira vez, enquanto o restante, pela segunda. Outras seis pessoas saudáveis participaram dos trabalhos. Os médicos retiraram amostra de sangue desse grupo durante e depois do enfarto. Então, os genes foram isolados e identificados como pontos brancos, que representam a base do mapeamento genético. Os resultados dos exames revelaram quais genes estavam ativos durante o enfarto, que foram identificados como quadrados vermelhos. Isso permitirá que haja o entendimento do mecanismo de geração do enfarto. O cardiologista e coordenador do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto Dante Pazzanese, Marcelo Ferraz Sampaio, afirma que o cruzamento dos dados daqueles que apresentaram o problema na primeira e na segunda vez apontou dados "surpreendentes", pois a rede de genes envolvida é muito diferente. "É uma notícia inédita para a comunidade científica e com essa informação poderemos melhorar muito o tratamento dessa patologia". Um fato que chama a atenção do especialista éque a maioria dos genes identificados é ligada a processos inflamatórios. Ele entende que, daqui a alguns anos, os pacientes poderão se tratar com drogas específicas para combater e evitar o enfarto.

SEGUNDA FASE

Sampaio explica que até 2010 uma segunda fase da pesquisa será finalizada. No entanto, serão analisadas amostras de sangue de 100 pacientes entre 35 e 65 anos de todo o Brasil. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, o estudo recebeu verba de R$ 300 mil. O levantamento também foi custeado por duas agências de fomento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). No futuro, segundo o orientador do projeto, o professor Mário Hirata, o tratamento de prevenção aos pacientes poderá ser totalmente individualizado e as medicações serão fornecidas conforme o perfil genético de cada pessoa.

Como evitar

>> Evite alimentos gordurosos e ricos em colesterol

>> Pare de fumar, pois o cigarro aumenta a pressão e favorece a formação de placas de ateroma e aumenta a frequência cardíaca.

>> Se você é fumante e não consegue parar evite as pílulas anticoncepcionais.

>> Use sal com moderação >> Faça exercícios regularmente, sob orientação médica e após teste de esforço. Lembre-se que caminhar é melhor que correr

>> Consuma álcool com moderação >> Modifique seus hábitos, evitando situações de estresse

>> Depois dos 35 anos ou conforme orientação médica, faça uma dosagem anual de colesterol

>> Se for diabético, redobre os cuidados com o infarto