Notícia

Jornal da Unesp online

Pesquisa identifica novas espécies no noroeste paulista

Publicado em 05 março 2012

O professor da Unesp Orlando Necchi Júnior editou o livro Fauna e flora de fragmentos florestais remanescentes da região noroeste do Estado de São Paulo (Holos Editora, 2012), que será lançado amanhã (06/03), às 16h45, na sede da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), financiadora da obra. A publicação é resultado de um levantamento inédito de 1.856 espécies de animais e plantas existentes em dezoito trechos de mata do noroeste paulista - alguns desses seres vivos ainda não tinham sido descritos pela ciência.

Foram detectadas 5 novas espécies de insetos e outras 2 cuja ocorrência ainda não havia sido relatada no Brasil, somente na América Central. Dezenas de espécies inéditas de ácaros foram descobertas, e 7 delas já foram devidamente descritas por pesquisadores do Ibilce, o que será feito em breve com as demais. Também foram identificados 3 fungos desconhecidos pela literatura científica.

"Felizmente, a diversidade encontrada superou nossas expectativas, até mesmo nas áreas menores, nas quais julgávamos que existiriam poucas espécies exclusivas", afirma Necchi Júnior, coordenador geral do estudo. A equipe também se surpreendeu com o fato de as espécies verificadas em cada fragmento serem bem diversificadas. "Imaginávamos que encontraríamos grande número de plantas e animais comuns entre as áreas, mas apenas 0,5% das espécies estava presente em todos os fragmentos."

O trabalho foi executado de 2005 a 2010 por pesquisadores do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Unesp (Ibilce), Câmpus de São José do Rio Preto, e estudiosos de outras universidades e institutos de pesquisa, por meio do projeto Biota-Fapesp (Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo). O estudo todo envolveu a atuação de mais de cem pesquisadores.

O livro tem dezesseis capítulos, cada um escrito por um especialista de uma área específica da pesquisa. Ao longo de cinco anos, os cientistas recolheram amostras da fauna e da flora. "Nosso objetivo era mapear a biodiversidade dos fragmentos florestais nessa região, uma informação até então pouco conhecida no que se refere à maioria dos grupos de plantas e animais", diz o professor.

Colaboração dos proprietários de terra

As matas estudadas estão localizadas em dezesseis cidades: Novo Horizonte, Sales, Planalto, União Paulista, São João de Iracema, Nova Granada, Barretos, Bebedouro, Matão, Santo Antonio do Aracanguá, Macaubal, Votuporanga, Turmalina, Palestina, Taquaritinga e Pindorama. Todas elas, segundo o coordenador, estão situadas em propriedades particulares e apresentam a vegetação original, isto é, nenhuma foi totalmente desmatada em algum momento da História.

"Conseguimos autorização de todos os proprietários para a realização do estudo. Agora, iremos convidá-los para o lançamento do livro para que eles possam, por meio de nossa pesquisa, saber quantas e quais espécies de plantas e animais ocorrem em suas terras, e se sentirem mais motivados a manter a preservação", afirma.

Além do lançamento oficial da obra no dia 6, em São Paulo, haverá um evento de apresentação do livro no Sesc São José do Rio Preto, no dia 16 de março. A entrada é permitida para todos os interessados.