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CIB - Conselho de Informações sobre Biotecnologia

Pesquisa genética pode levar à criação de superanalgésico

Publicado em 19 julho 2011

Novas drogas contra a dor podem surgir como subproduto da busca de uma terapia genética para o câncer São Paulo - Diversos laboratórios da indústria farmacêutica estão desenvolvendo novas drogas, para diferentes doenças, a partir da técnica de terapia gênica conhecida como oligodeoxinucleotídeo (ODN) antissenso.

A promissora técnica, no entanto, pode ser, também, uma importante ferramenta farmacológica para estudar os mecanismos da dor e descobrir novas maneiras de controlá-la. Essa foi a análise feita por Carlos Parada, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na última quinta-feira (14/7), durante um workshop internacional que discutiu os mais recentes avanços e os principais desafios da pesquisa sobre os mecanismos moleculares e celulares ligados à dor e à analgesia.

O evento, promovido pelo Centro de Toxinologia Aplicada (CAT) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP –, foi coordenado por Yara Cury, pesquisadora do Instituto Butantan, e por Sergio Henrique Ferreira, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP).

DNA x RNA

De acordo com Parada, a terapia gênica por ODN antissenso consiste na utilização de uma pequena sequência de cadeias simples de DNA – os oligonucleotídeos, que têm cerca de 20 pares de bases apenas – para inibir a tradução de uma proteína-alvo que esteja ligada a uma determinada doença.“Os oligonucleotídeos ligam-se ao RNA mensageiro e, quando isso acontece, eles ativam a RNAse-H, uma enzima presente no núcleo da célula, que destrói esse RNA mensageiro, impedindo que a célula produza determinadas proteínas ao bloquear sua codificação”, disse Parada à Agência FAPESP.

Quando se sabe que a sequência genética de um gene específico causa uma determinada doença, é possível sintetizar uma fita de DNA que se ligue ao RNA mensageiro produzido por aquele gene e desativá-lo, “desligando” o gene. O oligonucleotídeo sintetizado é chamado de “antissenso” porque sua sequência de bases é invertida em relação à do RNA mensageiro do gene.



Fonte: Portal Exame-SP