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Diário Catarinense

Pesquisa ganha 50 institutos

Publicado em 15 julho 2008

Anúncio foi feito pelo ministro Sérgio Rezende em reunião da SBPCO ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, anunciou, ontem, na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a criação de 50 institutos nacionais de pesquisa, em até três anos, no país.

Segundo Rezende, está previsto investimento de pelo menos R$ 270 milhões nesse período, com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O ministro prevê ampliação de recursos, dentro do que ele classificou como "política de Estado, não de governo".

- Esses recursos representam três vezes mais que os recursos do Programa Instituto do Milênio (voltado a pesquisas de temas que exigem laboratórios mais complexos e diferenciados) - afirmou Rezende.

Até 30 institutos serão selecionados, por edital, para atuação em 13 áreas estratégicas: nanotecnologia; biotecnologia; biocombustíveis; energias renováveis; gás, petróleo e carvão; agricultura; Amazônia e biodiversidade; semi-árido; mar e Antártida; Programa Nuclear; Programa Espacial; meteorologia e mudanças climáticas; e saúde.

Outros 20 institutos trabalharão a chamada livre demanda, temas escolhidos espontaneamente, de acordo com as necessidades do setor de pesquisa e desenvolvimento.

A previsão do Ministério é de publicar o edital para a seleção de propostas de criação dos institutos no início de agosto e de colocar os institutos em funcionamento a partir de dezembro deste ano.

- Vamos ter uma comissão de seleção com membros estrangeiros e brasileiros que estão no exterior. Os novos institutos estarão em operação até dezembro deste ano - garantiu.

Empresas vão receber estímulos

O ministro Sérgio Rezende informou que o Ministério estuda um conjunto de iniciativas para estimular a pesquisa nas empresas.

Atualmente, há uma subvenção econômica atrelada à contrapartida da empresa. Nós temos incentivos especiais de crédito para inovação nas empresas. Estou convencido de que o que fará com que empresas invistam mais é ver outras empresas investindo mais, competindo melhor porque fazem pesquisa e desenvolvimento.

Rezende também anunciou investimentos de R$ 35 milhões da sua pasta e de R$ 13 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em aquisição de um "supercomputador", equipamento novo e com sistema de alta atuação para a previsão de tempo e estudo de mudanças climáticas globais. O poderoso sistema tem capacidade de processamento efetivo de 15 trilhões de operações matemáticas por segundo, o equivalente a 50 vezes mais potência do que os equipamentos utilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O equipamento será colocado no novo Centro de Ciências Terrestres do Inpe. Toda essa questão de estudo do clima evoluiu muito. É uma área que envolve muitas variáveis, tem uma dinâmica complexa e cada vez mais pesquisadores têm de aprender a fazer previsões de curto e longo prazo.

Valorização para quem trabalhar na Amazônia

Após a abertura da reunião da SBPC, Rezende afirmou que o Ministério da Ciência e Tecnologia estuda a criação de vagas e a abertura de concursos para o Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, e para o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), bem como a valorização dos salários de pesquisadores que optem por trabalhar naquela região.

Em três anos, aumentamos os recursos orçamentários desses institutos. Dobramos os valores de algumas bolsas e de menos de 200 doutores que tínhamos trabalhando na Amazônia, em 2000, passamos a ter 800 - disse o ministro.