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Educação Integral

Pesquisa faz reflexão sobre imagens captadas por crianças

Publicado em 30 janeiro 2017

Pesquisadores do Instituto de Biociências de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp) têm utilizado fotos e vídeos produzidos por crianças de uma escola de educação infantil pública para propor reflexões sobre o desenvolvimento infantil.

 

No curta O que pode a imagem?, os pesquisadores comentam o trabalho e mostram algumas das filmagens registradas pelos pequenos. Veja na íntegra abaixo:

 

As visitas à creche ocorreram uma vez por semana, com duração média de 2 horas, ao longo de sete meses do ano letivo de 2012. As 45 crianças envolvidas na experiência produziram mais de 3500 fotos digitais e 10 horas de filmagens.

 

As atividades integram as pesquisas “Infância, pesquisa e experiência: reflexões e olhares para o desenvolvimento infantil a partir de produções imagéticas de professores e crianças” e “Do outro lado da cerca: experiências com imagens, Infância e Educação. reflexões e olhares para o desenvolvimento infantil a partir de produções imagéticas de professores e crianças” ambas coordenadas pelo professor César Donizetti Pereira Leite e realizadas com apoio da Fapesp e do CNPq.

 

Durante as sessões, foram oferecidos equipamentos de gravação digital, como câmeras fotográficas, filmadoras e tablets, às crianças que fizeram registros espontâneos. Para os especialistas, as imagens possibilitam reflexões sobre os modos como o corpo e o espaço criam e orientam sentidos.

 

Eles observaram, por exemplo, que os equipamentos eram usados muitas vezes não como câmeras, mas como brinquedos ou extensões do próprio corpo. Os registros realizados, segundo o coordenador, permitem pensar os mundos infantis e os modos como as crianças veem os objetos e as pessoas que as cercam.

 

As imagens produzidas trazem uma perspectiva do olhar da criança, que incluem detalhes, como botões de camisas e chinelos no avesso, olhares rápidos e  desfocados, cortes bruscos e pausas longas. Criam mundos, mundos infantis, mundos diferentes dos mundos dos adultos.

 

Para os pesquisadores, o exercício sugere que o profissional que trabalha com crianças precisa educar seu olhar para a infância e para ver a criança. Os vídeos e fotos produzidos obrigam os especialistas a desenvolver olhares renovados, pois o material constitui uma percepção do mundo com os olhos das crianças. Essa produção introduz, por exemplo, uma outra percepção do tempo não linear e cronológico, mas dominado pelo momento presente e pela sua intensidade.

 

Com informações da Agência Unesp de Notícias e da Agência Fapesp.