Pesquisadores do Instituto de Biociências de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp) têm utilizado fotos e vídeos produzidos por crianças de uma escola de educação infantil pública para propor reflexões sobre o desenvolvimento infantil.
No curta O que pode a imagem?, os pesquisadores comentam o trabalho e mostram algumas das filmagens registradas pelos pequenos. Veja na íntegra abaixo:
As visitas à creche ocorreram uma vez por semana, com duração média de 2 horas, ao longo de sete meses do ano letivo de 2012. As 45 crianças envolvidas na experiência produziram mais de 3500 fotos digitais e 10 horas de filmagens.
As atividades integram as pesquisas “Infância, pesquisa e experiência: reflexões e olhares para o desenvolvimento infantil a partir de produções imagéticas de professores e crianças” e “Do outro lado da cerca: experiências com imagens, Infância e Educação. reflexões e olhares para o desenvolvimento infantil a partir de produções imagéticas de professores e crianças” ambas coordenadas pelo professor César Donizetti Pereira Leite e realizadas com apoio da Fapesp e do CNPq.
Durante as sessões, foram oferecidos equipamentos de gravação digital, como câmeras fotográficas, filmadoras e tablets, às crianças que fizeram registros espontâneos. Para os especialistas, as imagens possibilitam reflexões sobre os modos como o corpo e o espaço criam e orientam sentidos.
Eles observaram, por exemplo, que os equipamentos eram usados muitas vezes não como câmeras, mas como brinquedos ou extensões do próprio corpo. Os registros realizados, segundo o coordenador, permitem pensar os mundos infantis e os modos como as crianças veem os objetos e as pessoas que as cercam.
As imagens produzidas trazem uma perspectiva do olhar da criança, que incluem detalhes, como botões de camisas e chinelos no avesso, olhares rápidos e desfocados, cortes bruscos e pausas longas. Criam mundos, mundos infantis, mundos diferentes dos mundos dos adultos.
Para os pesquisadores, o exercício sugere que o profissional que trabalha com crianças precisa educar seu olhar para a infância e para ver a criança. Os vídeos e fotos produzidos obrigam os especialistas a desenvolver olhares renovados, pois o material constitui uma percepção do mundo com os olhos das crianças. Essa produção introduz, por exemplo, uma outra percepção do tempo não linear e cronológico, mas dominado pelo momento presente e pela sua intensidade.
Com informações da Agência Unesp de Notícias e da Agência Fapesp.