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Jornal da Unicamp online

Pesquisa experimenta crescimento contínuo

Publicado em 06 abril 2009

Os levantamentos do Institute for Scientific Information (ISI) dos Estados Unidos, que monitora dez mil revistas científicas internacionais especializadas, apontam que a produção científica da Unicamp manteve no quadriênio 2005-2008 a tendência de crescimento contínuo experimentada a partir de 2002. Desde 1989, ano da conquista da autonomia, observa-se um grande aumento de produtividade, que saltou de 0,2 para 1,6 artigo per capita ao ano, o maior índice entre as universidades brasileiras.

A Unicamp possui 97% do seu quadro docente com titulação mínima de doutor e 86% em regime de dedicação exclusiva. Entretanto, é importante notar que o número de trabalhos científicos vem se elevando mesmo com a redução deste quadro de 2.103 para aproximadamente 1.740 docentes nas duas últimas décadas.

No período de 2005 a 2007, os indicadores da produção acadêmica somaram 3.209 linhas de pesquisa, 12.805 projetos com financiamento, 2.127 produções artísticas, 2.834 trabalhos técnicos, 16.220 participações em congressos e eventos, e 3.371 eventos promovidos.  

Em relação às fontes externas para financiamento das atividades de pesquisa, o quadriênio 2005-2008 foi marcado pelo peso cada vez maior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que contribuiu com mais de R$ 300 milhões do total de quase R$ 840 milhões em recursos disponibilizados.

Vale lembrar que, além das fontes externas (Fapesp, CNPq, Capes, Finep, empresas e instituições internacionais), a própria Unicamp investe em pesquisa, ainda que de forma complementar, através do seu Fundo de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Faepex). Os programas do Faepex representaram um investimento de aproximadamente R$ 14,5 milhões no quadriênio.

A Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) implantou neste período várias medidas facilitadoras da pesquisa, como o projeto de uma rede temática virtual visando à interação entre pesquisadores da Universidade envolvidos em grandes linhas temáticas; o centro-multiusuário em bioinformática junto ao Cenapad; e a ampliação das atividades científicas através de parcerias no exterior. Também foi criado o Espaço da Escrita, em 2006, para dar suporte editorial aos pesquisadores, incluindo correção e tradução de textos em língua estrangeira para publicação ou apresentação em congressos.

Com o mesmo propósito de incrementar as investigações científicas, a Comissão Central de Pesquisa (CCP), instituída em 2003, ganhou novas atribuições, destacando-se a avaliação das questões relativas à carreira do pesquisador e dos convênios e contratos que envolvam atividade de pesquisa.

O CCP tem sido responsável, ainda, por acompanhar e introduzir mudanças no Programa de Iniciação Científica da Unicamp, o que implica avaliar, distribuir e aferir o andamento das bolsas de iniciação. Este programa, todo ano, tem seu ápice na realização do Congresso Interno de Iniciação Científica – de 2005 a 2009 foram analisados 5.033 projetos e concedidas 3.115 bolsas CNPq-Pibic aos graduandos. 

Recorde de patentes

No período de 2005 até outubro de 2008, a Unicamp havia realizado o depósito de 211 tecnologias, totalizando 526 em seu banco e consolidando a posição de instituição brasileira com o maior número de patentes. No mesmo período foram depositados internacionalmente 27 pedidos via PCT (Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes).

Através de sua Agência de Inovação (Inova), a Unicamp deu seqüência ao esforço para licenciamento e repasse à indústria de grande volume de tecnologias produzidas na Universidade. Foram celebrados 26 novos contratos de licenciamento envolvendo 23 patentes. Os setores abrangidos são vários, como farmacêutico, petróleo, gás e energia, biocombustíveis, automobilístico e autopeças, além de projetos com o setor público. 

Nascida em 2003 para ser uma porta de entrada da Universidade para as demandas tecnológicas e de serviços do empresariado e do setor público, a Inova foi a primeira agência do gênero no país. Sua atuação nos últimos anos levou a Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) a mencionar a Agência de Inovação da Unicamp em seu relatório anual como um modelo a ser seguido.

Entre as 200 melhores do mundo

Em novembro de 2007, a Unicamp foi alçada ao ranking das 200 melhores instituições de ensino superior do mundo, conforme o The Times Higher Education Supplement, que ouviu mais de 5 mil especialistas, sobretudo acadêmicos, mas também empregadores e estudantes internacionais. A elaboração do ranking também exigiu a confrontação de publicações relevantes no meio científico, visando detectar os trabalhos de maior impacto e influência.

Para a Unicamp, a avaliação do The Times significou um salto significativo em relação à realizada quatro anos antes (do 448º para o 177º lugar), situando-a ao lado da Universidade de Dublin e à frente de universidades igualmente prestigiosas como de Leicester, Antuérpia, Canterbury, Oslo, Barcelona e Kobe. A USP, única outra instituição brasileira a figurar no ranking, passou do 284º para o 175º posto.

Alguns meses depois, em agosto de 2008, a Shangai Jiao Tong University, subordinada ao Ministério da Educação da China, divulgou nova versão do seu ranking das 500 melhores universidades do mundo, elevando a Unicamp em quase 100 posições, do 381º lugar em 2003 para 287º no ano passado. Este ranking é baseado nos indicadores do Institute for Scientific Information (ISI).

MAIS

* O novo Laboratório de Genômica e Proteômica, no Instituto de Biologia, está entre os principais investimentos feitos no quadriênio 2005-2008 para construção ou remodelação física de diversos laboratórios de pesquisa ou de ensino da Unicamp. No Ceset foram construídos os laboratórios de Telecomunicações e de Microbiologia e reestruturados outros laboratórios da unidade em Limeira.

* Foram inaugurados ainda o Lab-Epifisma (Laboratório de Epidemiologia e Fisiologia Matemática), no Instituto de Matemática e Ciências da Computação (Imecc); o novo parque computacional do Cenapad em São Paulo, órgão ligado à PRP; e o Laboratório de Processos Térmicos em Engenharia Ambiental na Faculdade de Engenharia Mecânica.

* O Instituto de Química agora tem oito novos laboratórios de ensino em prédio construído para este fim, além de salas de apoio para aulas de laboratório e de equipamentos; a unidade também teve o espaço físico da Biblioteca duplicado. No Instituto de Geociências, instalou-se o Laboratório Analítico de Espectroscopia de Massa com Ionização por Plasma.  

* Neste quadriênio entrou em atividade a nova Clínica Odontológica da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), com equipamentos também novos, e foi criada a segunda Estação Meteorológica do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Aplicadas à Agricultura (Cepagri), no Parque Valença, em parceria com a Prefeitura de Campinas.

* Em 2007, o Inova nos Municípios deu apoio a um workshop organizado pela Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) para o lançamento da primeira rede comunitária de acesso aberto a dados baseada nos padrões da Internet, a Infovia Municipal, em parceria com a Prefeitura de Pedreira. O objetivo é prover os cidadãos com informações e meios de comunicação de forma universal.

* A Incamp (Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp) encerrou o quadriênio com 17 empresas graduadas e outras dez em incubação. A Incamp mantém parceria com o Sebrae, que financia o desenvolvimento dos empreendimentos, e foi considerada a melhor incubadora do Sudeste em 2008.

* Ainda em 2008 foi elaborado o projeto de criação e implantação do Pólo de Pesquisa e Inovação da Unicamp, com o objetivo de transferir tecnologia para setores públicos e privados e, também, de aumentar as oportunidades de atuação de professores e alunos da Universidade no campo da ciência, tecnologia e inovação.

* No final de 2008, a Biblioteca Digital da Unicamp atingiu a marca de 25.166 teses e dissertações digitalizadas e disponibilizadas à sociedade. Isto representa 84% das teses defendidas nos programas de pós-graduação da Universidade. Com 400 mil usuários cadastrados em todo o mundo e 3,4 milhões de downloads até o momento, a Biblioteca Digital se afirma como detentora do maior acervo de documentos digitais do país.

* No quadriênio, os Centros e Núcleos da Unicamp realizaram convênios que captaram R$ 190 milhões para seus projetos de pesquisa, além de recursos provenientes de anos anteriores. O sistema Cocen celebrou, entre 2005 e 2009, mais de 500 convênios com universidades, instituições de pesquisa e empresas, tanto nacionais como internacionais.

* Criado em 2002, o programa Ciência e Arte nas Férias tem o objetivo de fomentar o interesse pela ciência entre estudantes do ensino médio. Durante um mês, os alunos são orientados por docentes da Unicamp em atividades científicas, culturais e artísticas nos laboratórios e outros espaços da Universidade. Entre 2005 e 2009, quase meio milhão de estudantes de escolas da região de Campinas participaram do programa.