Notícia

Universidade Metodista de São Paulo

Pesquisa encontra 54 espécies de peixes no Alto Tietê

Publicado em 21 abril 2010

Por José Gabriel Navarro, Maristela Lino Caretta e Mônica Casanova

Em estudo realizado pelos pesquisadores Alexandre Hilsdorf e Alexandre Marceniuk, do Núcleo Integrado de Biotecnologia (NIB), da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), foram identificadas 54 espécies de peixes em alguns rios da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, como os rios Claro, Biritiba, Jundiaí, Paraitinga e Tietê.

Segundo o professor Marceniuk, doutor em biologia e zoologia pela Universidade deEspécie de cará-verde encontrada na bacia do Alto Tietê São Paulo (USP), o trabalho foi realizado durante os anos de 2008 e 2009, com o objetivo de conhecer melhor a fauna de peixes da região do Alto Tietê e preservar a natureza do local. O conjunto de espécies brasileiras de peixes é o mais rico do planeta. O importante deste trabalho foi mostrar que tão perto da cidade de São Paulo, onde o rio é considerado sem vida, ainda temos muito para estudar, conhecer e preservar, para Outra possível espécie de lambari, ainda em estudosque num futuro próximo não deixemos nosso rio chegar às mesmas condições encontradas na cidade de São Paulo.

Os peixes foram obtidos a partir de diversas técnicas, como redes de fundo e superfície, armadilhas, pesca elétrica e puçás (tipo diferenciado de rede). De acordo com Hilsdorf, biólogo e doutor em genética e conservação, uma espécie, pelo menos, já é comprovadamente nova e outras quatro passam por análise morfológica e de DNA, para que venha a confirmação.

A coleta dos peixes foi realizada em locais preservados e outros com maior interferência do homem, para que fosse encontrada uma amostragem mais diversificada possível da fauna. Começamos a pegar os peixes e classificá-los, até porque alguns deles, embora estejam registrados como naturais daquele ambiente, são difíceis de serem pegos, afirma Hilsdorf. O professor Marceniuk acrescenta que muitas das espécies identificadas têm distribuição restrita ao Alto Tietê e não ocorrem em nenhum outro rio da América do Sul.

Algumas das espécies encontradas foram bagres, guarus, tilápias, saguirus, charitinhos, cascudinhos, carás-verde e lambaris do rabo vermelho. O estudo não se estendeu para a região da grande São Paulo, pois, a partir de Suzano, o rio apresenta valores muito baixos de oxigênio, ficando praticamente sem vida.

O estudo contou com a participação da aluna de mestrado da UMC Sara Lívia S. Fernandes da Mata, que desenvolveu em sua dissertação o estudo molecular da espécie Australoheros sp., conhecida na região como cará-verde.

Material educativo

A partir dessa pesquisa, surgiu a idéia de reunir as informações no livro Peixes das cabeceiras do rio Tietê e do Parque das Neblinas, que deve ser publicado ainda este mês, com financiamento da FAPESP. Ele será distribuído em escolas públicas e particulares de primeiro e segundo graus e tem como principal objetivo a educação ambiental, além de divulgar a diversidade da região do Tietê, afirma Marceniuk.

Segundo a educadora da área de Ciências Biológicas e especialista em educação Sonia Anzolin, as escolas obedecem a um currículo proposto pela Secretaria de Educação e o estudo das espécies de peixes está inserido em diversas séries da educação básica, de 1ª a 4ª série, na 6ª série e no 2º ano do Ensino Médio. O interesse surge com a motivação do professor propondo atividades diversificadas sobre o ambiente aquático, principalmente do rio Tietê, que pertence ao nosso estado. Um livro sobre esse assunto facilitaria nossas pesquisas, além de proporcionar um conhecimento da diversidade local, com possibilidades de visitação, disse a especialista.

Soltura de peixes

No ano de 2000, o Núcleo Integrado de Biotecnologia (NIB) da UMC, firmou uma parceria com o Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) para retomar a piscicultura na Barragem de Ponte Nova em Biritiba Mirim, promovendo, assim, a compensação ambiental do Sistema Produtor Alto Tietê.

De acordo com o coordenador do projeto, Alexandre Hilsdorf, biólogo e doutor em genética e conservação, a Ponte Nova era uma estação de piscicultura, com tanques construídos na década de 70 para cumprir o papel de reprodução de espécies nativas e posteriormente, fazer o repovoamento. Isso, em razão da construção das barragens, que interrompem o curso do rio e alteram as espécies de peixes que habitam uma determinada região. Em 2002. essa piscicultura não estava em operação, então fizemos a parceria, retomamos a atividade e aquilo começou a se tornar um centro de educação ambiental, conta Hilsdorf.

O coordenador ainda afirma que para desenvolver um trabalho de repovoamento é preciso estudar as características das espécies dos peixes, uma vez que nem todos se reproduzem em tanques. A partir disso, e até de forma natural, as pesquisas começaram a se aprofundar, e os resultados desse trabalho foram publicados num artigo da revista internacional Biodiversity and Conservation.

Participação de crianças

Através do Projeto de Preservação da Diversidade de Peixes na Área de Proteção Ambiental da Várzea do Tietê, realizado pela UMC, Fundação de Amparo ao Ensino e a Pesquisa (Faep) e DAEE, crianças das escolas públicas do Alto Tietê participam da soltura de peixes, para diminuir o impacto causado pelo homem na região.

Os peixes são soltos pelos próprios alunos, com a supervisão de profissionais do local e professores. Além de participarem de uma aula de educação ambiental, os estudantes também passam por uma experiência que pode vir a aflorar o gosto pela ciência, conta Hilsdorf. O projeto é desenvolvido continuamente e deve ser repetido nos próximos anos.

O pesquisador conclui que as pessoas devem ter orgulho do rio que está passando ali perto e não vê-lo como uma lata de lixo. Trata-se de um trabalho de conscientização.