Notícia

Cenário Agro

Pesquisa empreendedora

Publicado em 09 novembro 2016

Por Por Sílvia Sibalde

Num futuro próximo, mais precisamente em 2018, é muito possível que doenças como o amarelinho, o cancro cítrico e o HLB não causem mais tantos transtornos aos citricultores. Isso porque uma pesquisa realizada pela bióloga Simone Picchi, com apoio da FAPESP, por meio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), com o uso de uma molécula antioxidante chamada N-acetilcisteína (NAC) vem apontando resultados satisfatórios em relação ao tratamento e aos efeitos que elas causam nos frutos e na planta. “A NAC trabalha como um suplemento nutricional porque captura radicais livres, agindo em doenças e bactérias em condições ambientais não apropriadas”, explica a bióloga.

 

Tudo começou em 2010, quando Simone iniciou seu pós-doutorado no Centro de Citricultura Sylvio Moreira do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), para estudar a NAC como uma possível alternativa no controle do amarelinho. Sob a supervisão da Profª. Alessandra Alves de Souza, Simone observou que após infectar a planta, a Xylella fastidiosa (bactéria causadora do amarelinho) forma um biofilme que une os microrganismos invasores. “Decidimos, então, romper esse biofilme em sua formação com a NAC para combater a doença”, conta.

 

Com bons resultados, a pesquisadora decidiu estender os experimentos também para o combate da bactéria Xanthomonas citri subsp, citri, que causa o cancro cítrico e para o HBL (greening). “Para o cancro, temos resultados mais concretos e promissores; já em relação ao greening, os estudos ainda estão muito no início, não temos respostas”, diz.

 

As experiências de Simone giram em torno de dois produtos à base de NAC – um para ser pulverizado e o outro para ser aplicado na raiz da planta, como um fertilizante. “Ainda não podemos afirmar qual dos dois será mais efetivo no combate às doenças. Estamos estudando os produtos para usos curativo e preventivo”, explica.

 

Os produtos foram patenteados pela empresa Cia Camp, criada por Simone, para que pudesse ser contemplada pelo PIPE. Em fase de testes em pomares comerciais, a pesquisadora entra em dezembro na fase 2 do Programa, período de dois anos em que se deve comprovar a viabilidade comercial dos produtos, para daí, então, chegar ao campo. “Acredito muito que teremos a resposta de que precisamos. Estes produtos vêm de encontro ao que chamamos de agricultura sustentável porque além de combater doenças, é biodegradável, contribuindo para a preservação do meio ambiente”, anima-se a bióloga.

 

PIPE

 

Criado em 1997, o Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) apoia pesquisas científicas e/ou tecnológicas em pequenas empresas no Estado de São Paulo. São objetivos do PIPE – apoiar a pesquisa em ciência e tecnologia como instrumento para promover a inovação tecnológica, o desenvolvimento empresarial e aumentar a competividade de pequenas empresas; incrementar a contribuição da pesquisa para o desenvolvimento econômico e social; induzir o aumento do investimento privado em pesquisa tecnológica; possibilitar que as empresas se associem a pesquisadores do ambiente acadêmico em projetos de pesquisa visando à inovação tecnológica e contribuir para a formação e o desenvolvimento de núcleos tecnológicos nas empresas e o emprego de pesquisadores no mercado de trabalho empresarial.