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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Pesquisa e inovação

Publicado em 02 fevereiro 2014

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (lFSC) da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um espectrômetro de ressonância magnética digital e multifuncional, capaz de desempenhar diferentes funções de maneira mais amigável e eficiente que um espectrômetro convencional. O novo equipamento, que tem estrutura de hardware dentro de um chip, é completamente adaptável às demandas de cada usuário. Para isso, os pesquisadores lançaram mão da chamada tecnologia de lógicas programáveis (Field Programmable Gate Arrays/FPGA).

Interconexões

“Um chip de FPGA é como um cérebro de bebê, com neurônios cujas sinapses ainda não foram treinadas. O que se faz é estabelecer interconexões entre as portas lógicas desse chip e atribuir a ele uma funcionalidade digital. No nosso caso, transformamos um chip com configuração genérica em um dispositivo capaz de atender a diferentes funcionalidades”, explicou Alberto Tannús, coordenador do Centro de Imagens e Espectroscopia in vivo por Ressonância Magnética (ClERMag) do IFSC, à Agência Fapesp.

Ressonância magnética

Uma das funcionalidades do equipamento é operar como instrumento analítico de ressonância magnética, usado em laboratórios de química orgânica. Serve ainda para espectroscopia in vivo e ex vivo (humana e animal) por ressonância magnética e como escâner de imagens, o que viabiliza análises variadas, como para a obtenção do grau de contaminação por óleo ou querosene em asas de avião ou para a análise morfológica de danos e viabilidade em sementes na agricultura.

Aplicações

Os trabalhos começaram em 2008, com a prospecção e posterior aquisição de kits de desenvolvimento que permitiram criar a primeira versão do hardware, em 2010. “Neste momento, temos definido e sintetizado o hardware do novo espectrômetro. Todas as camadas de software estão também definidas e funcionais. Agora, começamos o desenvolvimento das suítes de metodologias para as diferentes aplicações”, afirmou Tannús.

Área médica

Uma delas, na área de equipamentos médicos, já tem projeto de desenvolvimento contratado pela Finep dentro do Programa Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em Redes de Centros de Inovação para Equipamentos Médicos, Odontológicos e Hospitalares (Rede EMOH). Outras, em andamento, envolvem Relaxometria e Espectroscopia Analítica.

Em laboratórios

Além dos ganhos em pesquisa e inovação, a equipe também prevê aplicações na área de ensino. “Há uma perspectiva sólida de se utilizar versões de bancada de um sistema de imagens com o propósito de treinamento em laboratórios -que atendam a cursos de Física Médica, de forma que os estudantes possam ter acesso irrestrito aos conceitos em todos os níveis de operação de tais sistemas. Por outro lado, versões adaptadas tanto para imagens como para espectroscopia analítica podem constituir ferramentas para laboratórios avançados de Física, como os que existem no IFSC”, disse Tannús.

Diferenciação celular

Apesar dos notáveis avanços científicos das últimas décadas, uma das grandes interrogações da biologia permanece intrigando os pesquisadores: como ocorre o processo de diferenciação celular – que faz com que o zigoto, uma célula capaz de originar qualquer tecido do organismo e placentário, dê origem às células especializadas que formam o indivíduo?

Embrião

Nesse processo, a primeira especificação de linhagens ocorre antes mesmo da implantação do embrião e culmina com a formação de duas linhagens celulares: a massa celular interna, pluripotente, que dará origem a todos os tecidos embrionários, e o trofectoderma, que formará a porção embrionária da placenta e não participará da formação do indivíduo adulto. Ainda não está inteiramente esclarecido como ocorre essa primeira diferenciação e os fatores que determinam quais células vão se diferenciar e quais permanecerão pluripotentes.

Valor brasileiro

Uma pesquisa recente, que reuniu equipes de vários países, acrescenta mais uma peça ao quebra-cabeça. O estudo, intitulado “Citrullination regulates pluripotency and histone H1 binding to chromatin”, foi publicado neste domingo (26/01) na edição on-line da revista Nature. O time multidisciplinar, que congregou nomes do calibre de John Gurdon, laureado pelo Prêmio Nobel de Medicina de 2012, teve destacada participação da cientista brasileira Clara Slade Oliveira, doutora em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), que teve apoio da Fapesp e atualmente é pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Laboratório de Reprodução Animal do Campo Experimental Santa Mônica, em Valença, no Rio de Janeiro.