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Pesquisa e desenvolvimento em São Paulo em tempos de coronavírus

Publicado em 15 maio 2020

Leia o artigo de opinião escrito por Marco Antonio Zago e Luiz Eugênio Mello para a Folha de São Paulo, publicado em 14/5:

O primeiro caso do novo coronavírus no Brasil foi confirmado em 26 de fevereiro, e 48 horas depois já dispúnhamos da sequência do genoma do vírus, resultante de uma colaboração entre o Instituto Adolfo Lutz e a USP, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Dos 112 protocolos nacionais de pesquisas em humanos sobre Covid-19 aprovados pela Comissão de Ética em Pesquisa, 60 são do estado de São Paulo. Esse padrão se repete se examinarmos as publicações científicas nos últimos anos: cerca de metade de todos os artigos do Brasil origina-se em São Paulo, que sozinho ultrapassa qualquer outro país da América Latina.

A crise de saúde resultante da pandemia é agravada pela escassez de equipamentos médicos e testes diagnósticos, como respiradores para UTIs, que estão em falta no mercado mundial. Uma solução é promover a produção nacional: uma empresa paulista de equipamentos médicos, que recebeu apoio da Fapesp para desenvolver modelos próprios de respiradores, está fornecendo 6.500 ventiladores pulmonares para o Ministério da Saúde. Outra empresa, também apoiada pela Fapesp, já produziu mais de 150 tomógrafos por impedância para monitoramento pulmonar da doença.

Por que o nosso estado é capaz de reagir com tanto vigor e agilidade a desafios que eram desconhecidos até o final do ano anterior? A razão é simples: a população paulista dispõe de um sistema de pesquisa, desenvolvimento e educação superior de elevada qualidade, que se implantou desde o início do século anterior, com uma rede de institutos, universidades públicas e privadas, faculdades e milhares de empresas tecnológicas ou inovadoras, que contam com 74 mil pesquisadores.

Desde a sua criação, em 1962, a Fapesp, ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, consolidou-se como uma das mais proeminentes agências de apoio à pesquisa do Brasil, caracterizando sua ação por estabilidade e eficiência, contrastando com as bruscas oscilações das políticas nacionais de ciência e tecnologia do país.

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