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Pesquisa e desenvolvimento em São Paulo em tempos de coronavírus

Publicado em 14 maio 2020

Por Marco Antonio Zago e Luiz Eugênio Mello

O primeiro caso do novo coronavírus no Brasil foi confirmado em 26 de fevereiro, e 48 horas depois já dispúnhamos da sequência do genoma do vírus, resultante de uma colaboração entre o Instituto Adolfo Lutz e a USP, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Dos 112 protocolos nacionais de pesquisas em humanos sobre Covid-19 aprovados pela Comissão de Ética em Pesquisa, 60 são do estado de São Paulo. Esse padrão se repete se examinarmos as publicações científicas nos últimos anos: cerca de metade de todos os artigos do Brasil origina-se em São Paulo, que sozinho ultrapassa qualquer outro país da América Latina.

A crise de saúde resultante da pandemia é agravada pela escassez de equipamentos médicos e testes diagnósticos, como respiradores para UTIs, que estão em falta no mercado mundial. Uma solução é promover a produção nacional: uma empresa paulista de equipamentos médicos, que recebeu apoio da Fapesp para desenvolver modelos próprios de respiradores, está fornecendo 6.500 ventiladores pulmonares para o Ministério da Saúde. Outra empresa, também apoiada pela Fapesp, já produziu mais de 150 tomógrafos por impedância para monitoramento pulmonar da doença.

Por que o nosso estado é capaz de reagir com tanto vigor e agilidade a desafios que eram desconhecidos até o final do ano anterior? A razão é simples: a população paulista dispõe de um sistema de pesquisa, desenvolvimento e educação superior de elevada qualidade, que se implantou desde o início do século anterior, com uma rede de institutos, universidades públicas e privadas, faculdades e milhares de empresas tecnológicas ou inovadoras, que contam com 74 mil pesquisadores.

Desde a sua criação, em 1962, a Fapesp, ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, consolidou-se como uma das mais proeminentes agências de apoio à pesquisa do Brasil, caracterizando sua ação por estabilidade e eficiência, contrastando com as bruscas oscilações das políticas nacionais de ciência e tecnologia do país.

Além de projetos de pesquisa em todas as áreas do conhecimento, a agência apoia projetos de inovação e de cooperação de empresas e academia, divulgação da ciência e concede anualmente cerca de 10 mil bolsas para formação de recursos humanos especializados.

É nesse contexto de cooperação entre governo, universidades, institutos de pesquisa e empresas que devemos entender a rota de desenvolvimento do estado, assim como sua resposta à pandemia. Essa aliança fortalece nossa agropecuária, nossas políticas de energia, meio ambiente, inovação e saúde.

Atualmente, a Fapesp já aprovou 24 projetos de pesquisa sobre coronavírus, compreendendo novos e mais rápidos testes diagnósticos, produção de anticorpos monoclonais contra o vírus, uso de inteligência artificial e testes para monitorar a epidemia, desenho e avaliação de medicamentos e vacinas, exame do processo inflamatório, fatores de risco de pior prognóstico e protocolos clínicos. Destaque-se ainda a colaboração de vários centros para avaliar o tratamento de doentes graves com plasma de convalescentes ou infectados assintomáticos.

Também serão aprovados projetos de apoio a pequenas empresas, em parceria com a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), para o desenvolvimento de produtos e serviços, como máscaras reutilizáveis e monitoramento de febre a distância.

Ao mesmo tempo, o Instituto Butantã, vinculado à Secretaria da Saúde, coordena uma rede de 38 laboratórios de universidades, hospitais e institutos, que acabou com a fila de exames diagnósticos, essenciais para orientar o tratamento clínico e para controlar a progressão da epidemia.

Dessa forma, São Paulo reage mais uma vez aos desafios por meio de suas instituições, com base na ciência e no conhecimento.