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Boletim do Acadêmico

Pesquisa do MCT revela como o brasileiro percebe a C&T

Publicado em 11 maio 2007

 

Pesquisa recém realizada pelo Ministério de C&T mostrou que o brasileiro interessa-se pela área de C&T tanto como por esporte, e muito mais do que pela política, que costuma ocupar inúmeras páginas nos jornais e revistas e tempo precioso nas emissoras de rádio e televisão. A leitura atenta dos dados da pesquisa pode apresentar um resultado muito superior se incluir como C&T as sub-áreas de Medicina e Saúde e Meio Ambiente, consideradas as de maior interesse da população brasileira.
Esse é um dos resultados de pesquisa nacional promovida pelo Ministério da C&T (MCT) com a colaboração da Academia Brasileira de Ciências, do Museu da Vida/Fiocruz, da Fapesp e do LabJor/Unicamp, e foi executada pela CDN Estudos & Pesquisa.
O principal objetivo da pesquisa, que foi divulgada em 25 de abril pelo ministro Sergio Rezende, em Brasília, foi fazer um levantamento do interesse, grau de informação, atitudes, visões e conhecimentos que os brasileiros têm sobre a ciência e tecnologia. O público-alvo foi de brasileiros com idade a partir de 16 anos, e a realização do estudo quantitativo foi meio de entrevistas, domiciliares e pessoais, entre os dias 25/11 e 9/12 de 2006.
A amostra envolveu 2.004 entrevistas que, para um intervalo de confiança de 95%, tem uma margem de erro máxima de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total de respostas. Esta amostra, representativa da população brasileira, tomou por base dados da Fundação IBGE. A produção do questionário, que continha 24 questões e levou em conta pesquisas anteriores realizadas na Europa, em países como a Argentina e cidades como São Paulo, foi feita por um grupo de trabalho, coordenado por Ildeu de Castro Moreira (MCT) e Luisa Massarani (Museu da Vida/Fiocruz), do qual participaram Marcelo Knobel (IFI/Unicamp), Yurij Castelfranchi (LabJor/Unicamp), Carlos Vogt (LabJor/Unicamp e Fapesp), Martin Bauer (London School of Economics, Inglaterra), Carmelo Polino (Ricyt e Centro Redes, Argentina), e Maria Eugenia Fazio (Centro Redes, Argentina).
A pesquisa evidenciou que a maioria dos brasileiros considera que a C&T produzem mais benefícios do que malefícios para a sociedade. Mas 18% no total julgam que elas acarretem tanto benefícios como malefícios, mais malefícios do que benefícios ou só malefícios, apontando particularmente os problemas para o meio ambiente, a redução do emprego e o surgimento de novas doenças. Ou seja, há uma percepção sobre o chamado impacto do progresso técnico.
Nas questões relacionadas ao conhecimento da população sobre as instituições de pesquisa brasileiras e sobre os cientistas, os resultados foram fracos - poucos conhecem alguma instituição científica. Os cientistas mais citados foram Oswaldo Cruz e Santos Dumont.
Os jornalistas aparecem como os profissionais com mais alto índice de credibilidade, o que deve provocar reflexões a respeito de sua imensa responsabilidade. O brasileiro, em grande parte, acredita que os cientistas devam ser olhados com atenção ("72% admitem que eles dispõem de poderes que os tornam perigosos" e "88% querem que eles exponham publicamente os riscos do desenvolvimento científico").
O brasileiro não subestima a sua capacidade de entender a C&T e reconhece (esta é a opinião de 81% das pessoas) que é capaz de compreendê-las se "o conhecimento científico for bem explicado" - mais uma indicação da importância do trabalho de divulgação científica. E ainda: 89% dos entrevistados julgam que a sociedade deve ser ouvida nas grandes decisões sobre os rumos da C&T. Ou seja, confirma-se a tese de que a ciência e a tecnologia não devem permanecer restritas a um grupo de privilegiados.
Os resultados apontam, de imediato, para a indiscutível importância do processo de divulgação científica e do jornalismo científico em particular, bem como para a necessidade premente de reorganização e fortalecimento do ensino de ciências.
E dão algumas pistas: a divulgação científica deve contextualizar as novas descobertas da ciência e da tecnologia, empenhar-se para incluir no debate a maioria dos cidadãos, promover a alfabetização científica e a democratização do conhecimento científico. Além disso, esta divulgação, ao promover o debate, deve abranger os diversos segmentos da sociedade e não apenas os que produzem ciência e tecnologia e as financiam.
(Fontes: Portal do Jornalismo Científico e da Assessoria de Imprensa do MCT)