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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Pesquisa do IQ/Unesp traz inovação para produtos dietéticos

Publicado em 17 agosto 2000

Por Roberto Schiavon
No início do mês, pesquisa realizada pelo aluno André Rosa, doutorando do IQ da Unesp, orientado pelo professor Júlio César Rocha, foi selecionada entre os 10 melhores trabalhos do mundo na área de Substâncias Húmicas, no 10°Congresso Internacional de Substâncias Húmicas em Toulouse, na França. O resultado do trabalho tem uma grande importância econômica, já que, a partir do estudo das substanciam húmicas, presentes no solo e na água, foi descoberta uma nova aplicação que poderá substituir o produto químico Gluteraldeído nas reações químicas de conversão do açúcar sacarose em uma misturados açúcares glicose e frutose. Todos os alimentos dietéticos, que têm grande aceitação comercial, utilizam industrialmente a reação química cuja qualidade será melhorada a partir da descoberta feita na pesquisa de André Rosa. PESQUISA DO IQ/UNESP TRAZ INOVAÇÃO PARA PRODUTOS DIETÉTICOS No início do mês, pesquisa realizada pelo aluno André Rosa, doutorando do Instituto de Química (IQ) da Unesp, orientado pelo professor Júlio César Rocha, foi selecionada entre os 10 melhores trabalhos do mundo na área de Substâncias Húmicas, no 10° Congresso Internacional de Substâncias Húmicas em Toulouse, na França. O resultado do trabalho tem uma grande importância econômica, já que, a partir do estudo das substâncias húmicas, presentes no solo e na água, foi descoberta uma nova aplicação que poderá substituir o produto químico Gluteraldeído nas reações químicas de conversão do açúcar sacarose em uma mistura dos açucares glicose e frutose. "Com as substâncias húmicas, o rendimento dessa reação é mais eficaz, trazendo um rendimento econômico melhor, daí a importância comercial da descoberta e a contribuição da universidade para a comunidade", disse Rocha. Todos os alimentos dietéticos, que têm grande aceitação comercial, utilizam industrialmente a reação química cuja qualidade será melhorada a partir da descoberta feita na pesquisa de André Rosa. "Este trabalho abre uma nova perspectiva para aplicação de substâncias húmicas em diversas áreas da ciência, especialmente em biotecnologia, pois podem ser mobilizadas outras enzimas para outras aplicação", comentou Rosa, que trabalha há7anos com o professor Rocha. O Gluteraldeído tem sido usado no processo industrial para se obter glicose e frutose desde 1920. O trabalho do pesquisador André Rosa - que concorreu com outros 400 trabalhos, num congresso que leve a participação de 500 cientistas do mundo todo - foi escolhido junto com os de nove estudantes da África, Alemanha, França, Japão, EUA, Dinamarca e Suíça. O trabalho de André Rosa foi desenvolvido em parceria com Alexandre Vicente, que fez mestrado no Instituto de Química, é professor no Colégio Sapiens e ex-aluno do professor Henrique Trevisan, que faz Pós-doutoramento nos Estados Unidos. O aluno recebeu homenagens da Comissão Organizadora do Congresso, estadia por uma semana em Toulouse e um prêmio em dinheiro de US$ 1.100 para as passagens ida e volta Brasil-França. A Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unesp complementou a verba destinada às passagens do pós-graduando. FINANCIAMENTOS O professor Rocha disse que alguns industriais não têm paciência de esperar que o processo das pesquisas nas universidades se cumpra e por esse motivo faltam os financiamentos. "A sociedade precisa entender que na ciência nada acontece do dia para a noite, como alguns pensam", declarou Rocha, acrescentando que, no máximo em 2 anos, o produto deverá estar no mercado. Rocha ressaltou que a Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), que financiou a pesquisa, é a principal responsável pelas pesquisas nas universidades paulistas. Ele disse que, se não fosse a Fapesp, estaria tudo quebrado nas universidades, que hoje só fornecem prédios e salários. "Todo o resto tem de ser buscado nas fundações. Nós temos laboratórios aqui que custaram mais de US$ 1 milhão, todos financiados pela Fapesp, sem contar as bolsas dos alunos, que recebem mensalmente cerca de R$ 1.500 para fazer um doutorado", declarou ele. No Estado de São Paulo, continuou Rocha, as pesquisas têm avançado muito por causa da Fapesp, que até prédio tem construído nas universidades. "Nós dependemos da fundação para tudo. Mas a Fapesp exige muitos relatórios, cobra produção, é um órgão muito sério. Os alunos e orientadores passam por rigorosa seleção", complementou. Outra fundação que ajudou no financiamento do trabalho foi o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele disse que os próximos passos serão procurar melhorar ainda mais o rendimento da reação, patenteá-la e depois procurar a divulgação nas indústrias. "É preciso patentear o produto, mas a petente nem é minha, mas em nome da Unesp. Eu não costumo pensar na parte financeira, enquanto eu tiver dinheiro para continuar minhas pesquisas estarei feliz", disse. Juntamente com as aulas, o professor Júlio Rocha desenvolve pesquisas na área de Química Ambiental: analises físico-químicas e de metais pesados de águas de poços profundos, alimentos, urina e cabelo humano, determinação de proteínas em alimentos, análise de fertilizantes, ele. Com este constante exercício científico, o professor e sua equipe adquiriram muita experiência nesse tipo de análises e há muito tempo trabalham para várias firmas e pessoas físicas de Araraquara e região.