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Correio Popular

Pesquisa do Incor com cobaias está quase pronta

Publicado em 16 janeiro 2000

SÃO PAULO - Pesquisadores do Instituto do Coração (Incor) já identificaram em cobaias (ratos) cinco regiões cromossômicas associadas à hipertensão arterial. Trabalham agora para descobrir qual a participação de cada uma delas no distúrbio e em quais cromossomos humanos se encontram as regiões identificadas nos ratos. A pesquisa foi feita por uma equipe de 11 cientistas, entre biólogos moleculares, fisiologistas e médicos clínicos, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O trabalho analisou dois grupos de ratos, cada um deles composto por indivíduos geneticamente idênticos, como gêmeos. No primeiro grupo, todos os ratos tinham pressão normal, enquanto, no segundo, todos eram hipertensos. Os cientistas cruzaram sucessivamente os dois grupos até embaralhar bem os genes. Passaram, então, a observar a pressão arterial dos descendentes e a comparar geneticamente os ratos normais e os hipertensos, partindo de 336 marcadores genéticos (regiões conhecidas do DNA dos ratos). Foi assim que cinco regiões cromossômicas foram relacionadas à hipertensão: elas apareciam com muito mais freqüência nos ratos hipertensos. Com esses ratos - nos quais se identificaram essas cinco regiões - foram feitas experiências para observar como sua pressão arterial reagia a 24 fatores diferentes que costumam influir sobre a pressão, como o sal. Foram formuladas então algumas hipóteses, relacionando certas regiões cromossômicas a uma reação maior ou menor a determinados fatores. Agora, o Incor está concluindo a segunda etapa da pesquisa, que vais isolar cada uma dessas regiões cromossômicas para comprovar seu efeito real sobre a pressão arterial. Para isso são feitos retrocruzamentos dos ratos com seus antecedentes de pressão normal até se obter um congênico, que é uma cobaia que se diferencia da que tem pressão normal exclusivamente por aquela região cromossômica que se pretende estudar. O trabalho está quase concluído: os cientistas estão na nona geração e esperam obter o congênico na décima. A primeira conclusão, preliminar, refere-se a uma região do cromossomo 2. Nesse caso a cobaia hipertensa, que é quase congênica da cobaia de pressão normal, apresenta uma peculiaridade surpreendente: sua pressão desce quando ingere quantidades maiores de sal.