Notícia

USP - Universidade de São Paulo

Pesquisa do IGc mapeia riscos aos monumentos de São Paulo

Publicado em 20 dezembro 2010

Por Lucas Rodrigues

Desde 2004, o patrimônio histórico da cidade de São Paulo vem recebendo um tratamento especial. No Instituto de Geociências (IGc) da USP, a professora Eliane Aparecida Del Lama coordena uma pesquisa que avalia a situação de monumentos em diferentes pontos da cidade, e mapeia as formas de alteração que os acometem pelos mais diversos motivos. O estudo conta com a consultoria do geólogo português José Delgado Rodrigues, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e com a colaboração de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Segundo a professora, a pesquisa, que hoje conta com a participação de alunos da graduação e da pós, surgiu com uma oportunidade aberta para trabalhar em projeto relacionado à mineralogia aplicada no Departamento de Mineralogia e Geotectônica do IGc. O primeiro projeto, como explica, "foi um trabalho multidisciplinar" feito em parceria com o Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP, e que consistiu na avaliação dos afrescos de Fulvio Pennacchi na Capela do Hospital das Clínicas. Com o passar do tempo, porém, o foco dos estudos mudou. "Hoje, o que a gente está trabalhando mais são os monumentos na cidade de São Paulo", conta Eliane.

Etapas

Não existe nenhum critério para a escolha de quais monumentos serão avaliados. "Todos eles devem ser preservados", diz a docente. Entretanto, devido à aproximação e à importância histórica, as análises se concentram na região do centro velho da cidade, o que não impede que qualquer outra obra seja avaliada, como acontece com o monumento ao Ramos de Azevedo, em frente ao IPT, na Cidade Universitária.

O trabalho começa com o registro fotográfico do monumento escolhido. Em seguida, são verificadas as formas de alteração que sofreu e é feito um acompanhamento dessas mudanças para saber se elas se mantêm ou se modificam. De acordo com a professora, agora, com a chegada de novos equipamentos, vai ser possível também analisar as medidas desses objetos históricos, como a cor e a densidade. "A partir disso eu posso fazer uma avaliação", explica.

Entre os equipamentos que a equipe acabou de adquirir através de verba da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), estão um aparelho de ultrassom, que vai fazer as medidas da velocidade do som no material pétreo que constitui os monumentos e possibilitar que o pesquisadores saibam se existe fratura dentro das peças; e um esclerômetro, que vai medir a dureza superficial das obras. Para Eliane, tais equipamentos permitirão que se pesquise sem causar prejuízos aos monumentos. "A intenção é montar um laboratório para análises não destrutivas", planeja.

Rochas e monumentos

Depois de anos de estudo, Eliane constatou que o maior problema que envolve a condição dos monumentos é o vandalismo. "Não é exatamente o patrimônio histórico que está ruim, a situação social é que está complicada", reflete. Ela aponta ainda a intensa mudança de localização dessas obras como outro fator responsável pelos danos em alguns monumentos.

Segundo a docente, a maior importância da pesquisa para a sociedade é poder colaborar com os órgãos oficiais na identificação de possíveis riscos para as obras. "Com essas análises, pode-se auxiliar as tomadas de decisão", explica.

Para a Universidade, principalmente na área de geologia, Eliane considera que os estudos são muito relevantes, porque estão fazendo o acompanhamento da evolução das alterações das rochas em questão. A intenção, como conta, é formar um grupo grande, cada um com a sua especialidade, "para contribuir com a preservação desses monumentos".