Notícia

Gazeta Mercantil

Pesquisa detecta a falta de estratégia, em automação industrial

Publicado em 18 setembro 1996

Por Ivone Santana - de São Paulo
Quase 60% das indústrias no Brasil não têm formalizadas suas estratégias de negócios, enquanto mais de 40% não documentaram suas estratégias de produção, na área de tecnologia. Esse tipo de falha pode ocasionar prejuízos, incapacidade de competir no mercado e ações desordenadas entre o quadro de executivos. O diagnóstico é da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Senai: SP, que divulgaram ontem os resultados de uma pesquisa sobre o nível de automação da indústria brasileira. Foram analisadas 280 indústrias de 14 segmentos, com cem a 2 mil empregados, em dez Estados, incluídos todos os do Sul e Sudeste, além da Bahia, Pernambuco e Ceará. A pesquisa foi realizada em um ano e meio, começando pelo Rio de Janeiro e terminando no Ceará, como resultado de uma parceria entre a UFRJ e o Senai nacional. Na maioria dos Estados o trabalho em campo foi conduzido por universidades e unidades do Senai locais, afirma Heitor Mansur Cauliraux, professor de engenharia de produção da UFRJ e coordenador da pesquisa. Os questionários abordavam, basicamente, três tipos de dados: a estratégia de negócios na produção; no segmento tecnológico, o que estava informatizado, automatizado e integrado; e, em recursos humanos, quais, os perfis criados para a área tecnológica, com os respectivos custos. O objetivo era fazer um mapa do que existe em tecnologia ligada às estratégias das empresas. Os técnicos apuraram que os setores mais informatizados são controle da produção (cerca de 78% das indústrias em São Paulo e em nível nacional) e qualidade (72% em São Paulo e 69% no País), enquanto o segmento mais atrasado é o de engenharia auxiliada por computador (CAE), com apenas 14% do universo pesquisado em São Paulo e 12% em nível nacional. Já os projetos auxiliados por computador (CAD) têm média de implantação em 60% das indústrias do Estado e 40% no País. Os resultados mostraram também que aumentou a preocupação dos executivos com a concorrência, principalmente externa, e com a diminuição de prazos de prazos e preços, diz Milton Gava, diretor de educação do Senai — SP. Ele observou que nenhuma indústria está acomodada tecnologicamente; todas já têm algum processo de automação e querem evoluir. Os dados estarão disponíveis em banco de dados para pesquisa em nove centros tecnológicos do Senai-SP, a partir de 15 de outubro. A UFRJ e o Senai nacional publicarão um livro sobre o assunto do início do próximo ano. A universidade e as unidades do Senai também oferecerão consultoria para as empresas que quiserem fazer um diagnósticos e traçar seus planos estratégicos.