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Pesquisa desenvolve método para identificar alvos que combatem o amarelinho causado pela Xylella

Publicado em 14 janeiro 2011

O sequenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa por cientistas brasileiros, há 10 anos, representou um avanço significativo para a ciência e contribuiu para o desenvolvimento da bioinformática no País. Em 2010, a Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, desenvolveu um método para a identificação de potenciais alvos terapêuticos que servirão para desenhar fármacos contra a bactéria.

O pesquisador Goran Neshich, líder do Laboratório de Biologia Computacional (LBC), conta que um pedido de patente foi depositado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI, em setembro do ano passado. A invenção refere-se à identificação de regiões específicas em uma proteína, identificada no genoma da Xylella como crucial para a patogenicidade da bactéria, para que esta proteína possa ser inativada ou ter sua atividade reduzida, diminuindo ou evitando assim o desenvolvimento da infecção bacteriana.

Ele explica que as principais fitopatogenias relacionadas à bactéria são a clorose variegada dos citrus (CVC ou amarelinho) e a doença de Pierce, que podem atacar os cultivares de citrus de uma forma geral e de videiras, respectivamente, além de outras doenças que afetam várias plantas de interesse econômico. Os prejuízos com a praga do amarelinho são estimados em US$ 100 milhões anuais nas plantações brasileiras, afetando um terço dos pomares de laranja.

O LBC desenvolve uma plataforma computacional denominada BSS - Blue Star Sting, baseada em ferramentas livres, que tem o maior banco mundial de dados de descritores de estrutura de proteínas, sequência, função e estabilidade proteica. Os benefícios desta tecnologia são caraterizados em integração dos dados e ferramentas de análise e visualização das estruturas proteicas para uso em ensino acadêmico, pesquisa básica e aplicações em um amplo espectro de áreas como desenho de drogas, sistemas biológicos, determinação de novos alvos para fármacos etc.

O pedido depositado no INPI é de uma patente de invenção intitulada `Identificação de alvos terapêuticos para desenho computacional de drogas contra bactérias dotadas da proteína específica, fundamental para a patogenicidade de Xylella fastidiosa`. O LBC pretende apresentar novos pedidos de patente em breve. Conforme a estagiária Izabela Pena Neshich, que desenvolve trabalhos no laboratório sob orientação do pesquisador José Gilberto Jardine, esses resultados indicam que, com o uso conjunto da bioinformática, da biologia computacional e da própria biologia, é possível prever fatores importantes e avançar na pesquisa agropecuária.

O Sting recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo - Fapesp. A instituição investiu cerca de R$ 1 milhão em recursos, em 2002, para a instalação do laboratório em Campinas, anteriormente chamado de Núcleo de Bioinformática. Atualmente, a Fapesp financia a pesquisa `Aplicação de técnicas de reconhecimento de padrões usando os descritores estruturais de proteínas da base de dados do software Sting para discriminação do sítio catalítico de enzimas`, desenvolvida pelo LBC.

 

Nadir Rodrigues (MTb/SP 26.948); Embrapa Informática Agropecuária; Contatos: (19) 3211-5747 - nadir@cnptia.embrapa.br