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O Diário (Mogi das Cruzes) online

Pesquisa descobre novo cimento

Publicado em 22 fevereiro 2009

Pesquisa da Universidade de Mogi das Cruzes desenvolveu um cimento feito a partir de cinzas da casca de arroz, que pode reduzir em até 60% a emissão de gás carbônico (CO2) durante a produção, além de ser economicamente viável. Os resultados mostram que o desempenho deste cimento é idêntico ao cimento comercial.

De acordo com o pesquisador, professor Dr. Flávio Rodrigues, o consumo mundial estimado de cimento é de 250 quilos por pessoa por ano. A cada tonelada produzida, a mesma quantidade de gás carbônico é enviada à atmosfera. “A indústria de cimento é responsável pela liberação de aproximadamente 6% de todo o gás carbônico gerado pelo homem, o que equivale a 4% do aquecimento global. Com a nova sistemática, esses impactos são minimizados”, explicou.

No estudo, financiado pela Fundação de Amparo ao Ensino e Pesquisa (Faep) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a sílica (resíduos da casca de arroz), geralmente descartada em aterros sanitários, entra como matéria-prima e substitui os minerais utilizados na composição do cimento comum (Portland). “A fabricação desse cimento ecológico inovador exige um aquecimento de apenas 800ºC, quase a metade dos 1.500°C necessários pelo procedimento atual. Com isso, há uma redução do consumo de energia elétrica e do combustível utilizado no aquecimento dos materiais, já que o tempo do processamento é menor”, explicou Rodrigues.

A diferença entre a descoberta e os outros métodos alternativos anunciados nos últimos anos, inclusive com casca de arroz, é que a sílica não é simplesmente colocada como componente do concreto. Ela é utilizada para a síntese do cimento.

Vantagens

A utilização de materiais de origem biológica, como a sílica, na composição de produtos tem apresentado um crescente interesse nos últimos anos. O professor Flávio Rodrigues explicou que a constância de suas propriedades físico-químicas possibilita mais qualidade e maior resistência. Além disso, é uma fonte renovável, que pode ser empregada indefinidamente, ao contrário do que acontece com os minerais.

Para cada tonelada de arroz produzido, são gerados 200 quilos de casca de arroz, em média. “A produção brasileira é de cerca de 11 milhões de toneladas por ano, ou seja, são 2,2 milhões de casca que deixam de ser aproveitadas na sua totalidade”, ressaltou Rodrigues. Geralmente, este resíduo é queimado a céu aberto, gerando partículas de sílica, causando graves problemas de poluição e doenças respiratórias. “Há outras destinações, como carga em diversos processos industriais (preenchimento) ou na produção de adsorventes”, completou.

A casca de arroz também é uma fonte barata de insumo para a construção civil, segmento responsável por aproximadamente 11% do Produto Interno Bruto (PIB). O reflexo poderia ser sentido diretamente para as habitações, que passariam a ter preço inferior. “Os produtores de arroz serão igualmente beneficiados porque passarão a vender o resíduo que não utilizam atualmente”, disse o professor.