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Pesquisa descobre microalgas nocivas à saúde em 10 praias

Publicado em 09 abril 2005

Um total de dez espécies de microalgas potencialmente nocivas à saúde foi descoberto em dez praias das quatro cidades do Litoral Norte --Caraguá, Ubatuba, São Sebastião e Ilhabela.
Essas plantas aquáticas microscópicas, que podem liberar diferentes toxinas na água, foram identificadas entre os cerca de 250 tipos de microalgas já encontradas na costa da região.
A descoberta foi feita pela bióloga Maria Célia Villac, professora visitante do Departamento de Biologia da Unitau (Universidade de Taubaté), que começou a estudar o tema no ano passado.
Segundo Maria Célia, dependendo da espécie, as microalgas podem provocar problemas gatrointestinais, amnésia, parada respiratória ou afetar o sistema nervoso. Numa situação mais grave, podem ser fatais.
"A microalga passa a ser um problema quando ocorre a floração, ou seja, a reprodução com rapidez dessa microalga potencialmente nociva, que passa a ser dominante em detrimento das outras espécies", disse.
A bióloga afirmou que as toxinas liberadas pelas plantas aquáticas microscópicas somente são transmitidas ao ser humano pelo consumo de frutos-do-mar.
"O mexilhão, por exemplo, é um grande filtrador de água. Dessa forma, ele retém as toxinas liberadas pelas microalgas e a pessoa ao comer esse mexilhão contaminado recebe essas substâncias."
Maria Célia afirmou que a floração das plantas aquáticas é desencadeada pela poluição orgânica (esgoto), quando a temperatura da água aumenta e quando o mar está mais calmo.
"Por isso, é mais comum no verão. Mas é importante ressaltar que não foi observada até hoje a floração de microalgas potencialmente nocivas no Litoral Norte", disse.
A bióloga afirmou que a floração das microalgas pode alterar a cor do mar, deixando a água com tons avermelhado ou marrom. As espécies são coletadas na zona de arrebentação da praia.

Praias - As amostras são retiradas das praias Tabatinga e Indaiá, em Caraguá, Picinguaba, Itaguá, Enseada e Lagoinha, em Ubatuba, Porto Grande Barequeçaba e Juqueí, em São Sebastião, e Praia do Sino, em Ilhabela.
Segundo ela, em cada uma dessas praias foram encontradas pelo menos uma das espécies que podem liberar um dos tipos de toxinas prejudiciais à saúde. A pesquisa também abrange dez praias do litoral sul paulista.
"Para coletar as microalgas usamos uma rede com uma malha especial ou baldes. A água é retirada uma vez por mês", disse a pesquisadora.
O projeto, denominado Floração de Microalgas Nocivas do Litoral do Estado de São Paulo, é feito em parceria com a Cetesb (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo).
Nessa parceria, as amostras são coletadas por técnicos da Cetesb e as espécies são analisadas por Maria Célia, que tem a ajuda de três alunos do curso de biologia da Unitau.
Os estudos começaram no ano passado, são custeados pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e devem durar ainda mais três anos.