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Jornal da Unesp online

Pesquisa de Rio Preto analisa genes de imunidade de búfalos

Publicado em 19 dezembro 2011

O búfalo é um animal de grande importância econômica para o Brasil, que é um dos maiores pecuaristas no mundo. Apesar disso, sua criação tem sido dificultada pelo fato de não haver vacinas para búfalos, o que faz com que os produtores recorram a vacinas para bovinos, já que ambos têm doenças similares. Compreender a organização do genoma bubalino para, no futuro, auxiliar na busca por uma imunização específica é o desafio de um estudo do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), Câmpus de São José do Rio Preto.

O trabalho é desenvolvido pela pós-doutoranda Nedenia Bonvino Stafuzza e pela mestranda Mariana Maciel Borges, sob a coordenação da professora Maria Elisabete Jorge Amaral, do Departamento de Biologia do Ibilce.

Gosto pela ciência

"Como coordenadora do laboratório, acho gratificante poder oferecer aos alunos exatamente os mesmo treinamentos que recebi no Exterior e desenvolver ao lado deles ferramentas inovadoras na área", afirma Elisabete.

A pós-doutoranda Nedenia diz que está no laboratório há dez anos e que deve sua vida universitária a ele: "É gratificante lembrar todo o meu percurso aqui".

Mariana, que está há somente oito meses na pesquisa, consegue enxergar oportunidades: "Gosto da pesquisa, principalmente por ser algo tão inovador. O que mais me encanta é poder levar para fora da universidade tudo o que estou aprendendo aqui", finaliza.

Os produtos do bubalino apresentam qualidade superior aos derivados bovinos, segundo Elisabete: "A carne é mais magra e no leite há mais nutrientes". Ela destaca que os criadores tendem a tratar os dois animais da mesma forma, porém há diferenças: "As vacinas utilizadas nos bois nem sempre são eficientes para búfalos".

Por esse motivo, o trabalho das pesquisadoras tem se concentrado na região cromossômica MHC, onde se encontram genes de imunidade. O objetivo é estudar profundamente essa parte do genoma do búfalo, compreender sua organização e diferenciá-lo do genoma bovino, um conhecimento que pode resultar em investigações para a criação de vacinas.

Biblioteca de genes

Para viabilizar o estudo, as pesquisadoras usam duas ferramentas: o mapeamento completo do genoma bubalino e uma biblioteca genômica. Para isso, contaram com o auxílio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e com tecnologias trazidas dos EUA pela professora Elisabete.

O primeiro recurso foi usado para localizar as regiões de interesse da pesquisa - nesse caso, a área de resistência a doenças. A segunda consiste em uma coleção de células hospedeiras que guardam pedaços de todo o genoma. "É como uma verdadeira biblioteca, onde as informações ficam guardadas", diz Mariana. Dessa forma, para compreender como funcionam os genes relacionados à imunidade, as pesquisadoras têm recorrido a esse acervo genômico, em que cada célula hospedeira representa um livro.

Lissa Botezelli, da Assessoria de Imprensa do Ibilce/ S. J. do Rio Preto