Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Pesquisa de ponta

Publicado em 08 janeiro 2001

O Brasil está se credenciando a ocupar um lugar destacado na área da biotecnologia. Os resultados do Projeto Genoma têm colocado o País na dianteira das pesquisas envolvendo o seqüenciamento genético de bactérias que atingem a (agricultura e também dos próprios produtos agrícolas. A partir das descobertas dos cientistas brasileiros será mais fácil combater pragas como a do amarelinho e do cancro cítrico, que atingem os laranjais. No caso do genoma da cana-de-açúcar, os pesquisadores esperam desenvolver plantas mais resistentes e com quantidade maior de proteínas. Trata-se de uma técnica que não deve ser confundida com a dos transgênicos e que, portando, não tem por que motivar semelhante polêmica. O princípio básico da engenharia genética, ao menos nos projetos implementados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é decodificar os genes para melhorar as propriedades nutricionais dos alimentos, ou evitar que as lavouras sejam atingidas por pragas. Mesmo agora, com o anúncio de que a Fapesp passará a contar com financiamentos de empresas privadas, convém destacar os benefícios que as pesquisas irão proporcionar ao setor agrícola. No exterior, um dos projetos mais importantes é o do Genoma do Câncer. Através dele, os cientistas pretendem chegar às causas da doença e, eventualmente, à sua cura, ou então a tratamentos mais eficientes. Graças aos resultados excepcionais obtidos no seqüenciamento de genes, a Fapesp também está fazendo parte do esforço internacional de institutos voltados à identificação dos genes humanos. Na verdade, o Brasil só fica atrás dos Estados Unidos, entre todos os países que desenvolvem esses estudos. E preciso destacar esse fato não por uma questão de orgulho nacional, evidentemente, mas porque são bastante conhecidas as condições em que os pesquisadores nacionais trabalham - bem diferentes das de seus colegas europeus e americanos. No caso da Fapesp, o mérito deve ser dividido entre a instituição e o Governo do Estado, que vem tratando o Projeto Genoma como prioridade, ainda que ele tenha pouca visibilidade política. Esta sim, é uma forma de trabalhar para o futuro, porque o século que se inicia será marcado pelas tecnologias de ponta. Quanto mais um país estiver inserido nesse contexto, formando profissionais de alta qualificação, capazes de desenvolver técnicas próprias, maiores as chances de ele se impor, em termos econômicos. Com o apoio financeiro adequado e uma política pública coerente como a do governador Mário Covas, os projetos da Fapesp continuarão produzindo resultados à altura da qualidade dos seus pesquisadores.