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Canal Rural

Pesquisa de melhoramento da cana-de-açúcar recebe Prêmio TOP Etanol

Publicado em 18 junho 2011

Encontrar novos caminhos para que a cana-de-açúcar seja capaz de crescer em condições ambientais adversas foi o objetivo da pesquisa vencedora na categoria pós-graduação stricto sensu da segunda edição do Prêmio TOP Etanol.

A premiação foi promovida pelo Projeto Agora de Agroenergia e Meio Ambiente e entregue em 6 de junho a Kevin Begcy Padilla Suárez, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), durante o congresso Ethanol Summit 2011, em São Paulo.

Além de um diploma, o autor da melhor tese de doutorado recebeu R$ 5 mil. Intitulado "Análise funcional de genes de cana-de-açúcar e A. thaliana associados a estresse hídrico e salino em tabaco transgênico", o estudo, orientado pelo professor Marcelo Menossi Teixeira, do Departamento de Genética, Evolução e Bioagentes do IB-Unicamp, identificou genes da cana-de-açúcar capazes de crescer em condições ambientais adversas, como falta de água, excesso de sal ou solo com muito alumínio.

A pesquisa contou com a colaboração do laboratório da professora Glaucia Mendes de Souza, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), integra o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia - BIOEN e resultou na submissão de duas patentes junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Souza, que é membro da coordenação do BIOEN, explica que o estudo teve início com a busca de genes da cana-de-açúcar tolerantes à seca.

- Tínhamos alguns candidatos, mas transgênicos de cana-de-açúcar levam muito tempo para crescer. São cerca de seis anos para a confirmação e pelo menos mais três anos para obter a planta. O professor Menossi sugeriu, então, testar alguns dos genes da cana que respondam à seca em tabaco - disse.

Utilizando como modelo o tabaco, em que a planta leva apenas entre sete e oito meses para crescer, além de ser mais fácil de manipular, o grupo realizou dois experimentos. A mostarda selvagem, Arabidopsis thaliana, muito usada no estudo da genética, foi a primeira a ter seu gene transferido para o tabaco.

- Em uma planta transgênica, a ação desses genes é potencializada em cerca de cem vezes para que possamos confirmar uma hipótese. No caso da Arabidopsis, ela confere à planta a resistência ao estresse oxidativo e à seca - disse Menossi.

De acordo com ele, o teste possibilitará, no futuro, obter variedades com as mesmas características da mostarda selvagem.

Já na cana-de-açúcar, o professor destaca que, quando estressada pela seca, a planta ativa dois genes para sua proteção. Com o objetivo de descobrir o mecanismo de ação dos genes, o grupo realizou o segundo experimento no tabaco, superexpressando esses genes da cana. Como resultado, obtiveram um transgênico resistente à seca.

Souza conta que o objetivo do estudo é chegar a uma cana-de-açúcar transgênica, capaz de suportar longos períodos sem irrigação e de crescimento rápido, e o tabaco é apenas um passo para essa meta.

- Observamos a necessidade desse tipo de cultura transgênica na região Centro-Oeste, onde durante o período de inverno a seca é prolongada e, por isso, a cana-de-açúcar sofre muito. No Nordeste, tradicionalmente, a cana só é obtida com irrigação. Caso contrário, não há produção. Então, para diminuir o impacto ambiental, precisamos desenvolver cultivares tolerantes à seca para essa área de expansão da cana e, até mesmo, para São Paulo - disse.

AGÊNCIA FAPESP