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G1

Pesquisa da USP indica surgimento de categoria de trabalhadores durante a pandemia: os 'novos vulneráveis'

Publicado em 01 maio 2020

Por Marcelo Poli, SP2

Grupo têm vínculos formais de trabalho, mas atua em setores bastante afetados por pela nova dinâmica econômica da quarentena.

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) divulgada nesta sexta-feira (1º) mostrou o surgimento de uma categoria de trabalhadores na cidade de São Paulo em função da pandemia do coronavírus: os "novos vulneráveis".

De acordo com o estudo elaborado pelo Centro de Estudos da Metrópole, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), 84,3% dos trabalhadores da capital encontram-se em posições vulneráveis, ou seja, podem ou já estão sofrendo grandes impactos nessa pandemia.

Desse total, 54,3% se tornaram vulneráveis, uma nova categoria de trabalhadores, que têm vínculos formais de trabalho, mas atuam em setores bastante afetados pela nova dinâmica econômica da quarentena.

"Os 'novos vulneráveis' são um grupo de trabalhadores que em condições usuais da economia não estariam sob risco. Geralmente têm carteira assinada, mas trabalham em pequenas empresas ou em empresas que agora são classificadas como não essenciais", explicou o professor Rogério Jerônimo Barbosa.

Esse é o caso de Bárbara, Bezerra, dona de buffet, que estava consolidando uma carreira, mas viu seu rendimento reduzido em 80% durante a quarentena.

"Logo que começou a pandemia, alguns clientes desmarcaram e tivemos que devolver o sinal que tinham dado; outros, reagendaram. Depois disso eu pensei: 'o que vou fazer para me reinventar?'", contou Bárbara, que começou a fazer pequenas encomendas para entregar, principalmente no prédio em que mora. "É o que está salvando; salvando assim, né, meio que tapando o buraco", ponderou.

Outro serviço duramente atingido é o de beleza, cujos trabalhadores também se enquadram na categoria dos "novos vulneráveis". O faturamento no salão de Andreia Tavares passou R$ 4 a R$ 10 mil para zero.

"Para quem é acostumado a trabalhar, passar a depender da ajuda de colegas e vizinhos, né... Os próprios clientes oferecem ajuda, mas a gente não está acostumado a viver assim. A gente quer trabalhar...", lamentou.

De acordo com o professor, os trabalhadores chamados "novos vulneráveis" são em boa medida mais brancos que a média da população, e os trabalhadores tradicionalmente vulneráveis são mais negros do que a média da população.

"Pela primeira vez um grupo que é um pouco mais branco está colocado em uma posição de risco. O grupo dos negros ainda é mais afetado, e, particularmente, o das mulheres negras. O grupo mais vulnerável de todos na pandemia é das pessoas que prestam serviços domésticos, seja na função de limpeza ou cuidado com idosos e crianças", apontou o Rogério Jerônimo Barbosa, da USP.

De acordo com o estudo elaborado pelo Centro de Estudos da Metrópole, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), 84,3% dos trabalhadores da capital encontram-se em posições vulneráveis, ou seja, podem ou já estão sofrendo grandes impactos nessa pandemia.

Desse total, 54,3% se tornaram vulneráveis, uma nova categoria de trabalhadores, que têm vínculos formais de trabalho, mas atuam em setores bastante afetados pela nova dinâmica econômica da quarentena.

"Os 'novos vulneráveis' são um grupo de trabalhadores que em condições usuais da economia não estariam sob risco. Geralmente têm carteira assinada, mas trabalham em pequenas empresas ou em empresas que agora são classificadas como não essenciais", explicou o professor Rogério Jerônimo Barbosa.

Esse é o caso de Bárbara, Bezerra, dona de buffet, que estava consolidando uma carreira, mas viu seu rendimento reduzido em 80% durante a quarentena.

"Logo que começou a pandemia, alguns clientes desmarcaram e tivemos que devolver o sinal que tinham dado; outros, reagendaram. Depois disso eu pensei: 'o que vou fazer para me reinventar?'", contou Bárbara, que começou a fazer pequenas encomendas para entregar, principalmente no prédio em que mora. "É o que está salvando; salvando assim, né, meio que tapando o buraco", ponderou.

Outro serviço duramente atingido é o de beleza, cujos trabalhadores também se enquadram na categoria dos "novos vulneráveis". O faturamento no salão de Andreia Tavares passou R$ 4 a R$ 10 mil para zero.

"Para quem é acostumado a trabalhar, passar a depender da ajuda de colegas e vizinhos, né... Os próprios clientes oferecem ajuda, mas a gente não está acostumado a viver assim. A gente quer trabalhar...", lamentou.

De acordo com o professor, os trabalhadores chamados "novos vulneráveis" são em boa medida mais brancos que a média da população, e os trabalhadores tradicionalmente vulneráveis são mais negros do que a média da população.

"Pela primeira vez um grupo que é um pouco mais branco está colocado em uma posição de risco. O grupo dos negros ainda é mais afetado, e, particularmente, o das mulheres negras. O grupo mais vulnerável de todos na pandemia é das pessoas que prestam serviços domésticos, seja na função de limpeza ou cuidado com idosos e crianças", apontou o Rogério Jerônimo Barbosa, da USP.