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Silvani Notícias (G1 Notícias)

Pesquisa da USP de Pirassununga melhora processo de extração de óleos essenciais com uso de etanol

Publicado em 02 fevereiro 2020

Por Jornal da USP

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga (SP), descobriram que o etanol hidratado é uma alternativa mais eficiente na extração de óleos essenciais em relação aos métodos utilizados tradicionalmente.

Usado como solvente, o etanol permite um processo de extração mais barato do óleo, além de gerar um produto de mais qualidade, segundo a pesquisa realizada por dois doutorandos do departamento de Engenharia de Alimentos da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA).

Processos

Os óleos essenciais são usados na indústria alimentícia para aromatizar, por exemplo, sorvetes e bolachas, na indústria cosmética e até em produtos de limpeza. Eles são extraídos de frutas, plantas e especiarias, geralmente por meio de três técnicas: alta pressão, destilação e líquido-líquido.

Na primeira técnica são usadas pressões superiores à atmosférica, o que tem um grande gasto energético. Já por destilação, utiliza-se temperaturas superiores à ambiente e, nesse caso, o óleo pode sofrer alguma degradação em sua composição provocada pela alta temperatura.

A desvantagem da técnica líquido-líquido é que nela usam-se solventes, como benzeno ou tolueno e, por isso, o óleo nem sempre pode ser utilizados na indústria alimentícia. Mas, o etanol pode ser uma alternativa neste tipo de extração, já que pode ser consumido. O material já é utilizado na produção de bebidas e de medicamentos, o que comprova a sua segurança.

Vantagens

“Você trabalhar com produto que pode ser usado em alimentos é muito mais seguro, tanto na manipulação para o trabalhador que está respirando isso ou caso tenha algum acidente que caia na pele quanto pela concentração que pode estar no alimento”, explicou o pesquisador Daniel Gonçalves.

De acordo com a pesquisadora Cristina Chiyoda Koshima, o uso do etanol tem ainda a vantagem de conseguir separar a parte mais nobre do óleo, que tem moléculas de oxigênio e por isso exala um cheiro puro.

“A principal característica do óleo é o odor e ele não vai se modificar tão rapidamente quanto o óleo bruto que não passou pelo processo de purificação, então você vai ter as características do óleo por mais tempo”, afirmou.

A pesquisa, que tem financiamento da Fapesp, Capes e CNPq, foi feita com óleos essenciais de laranja, eucalipto, cravo, pimenta-da-jamaica, bergamota e lavandin e beneficia dois dos principais setores do agronegócio brasileiro: a citricultura e o sucroalcooleiro.

“O óleo essencial de laranja é um subproduto da indústria de suco de laranja, como o Brasil é o maior produtor de suco mundial, logo o essencial também é a maior produção mundial. Já o etanol, o Brasil domina essa tecnologia de produção que é um solvente renovável que vem da produção da cana”, afirmou Gonçalves.

Para a professora Christiane Rodrigues, orientadora da pesquisa, o processo com etanol traz outras vantagens para indústrias e consumidores.

“A indústria se beneficia porque ela terá um processo que pode ser realizado em temperatura ambiente, ou seja, com baixo custo de energia e porque o solvente é seguro para o manipulador. Já o consumidor ganha em qualidade por esses materiais serem mais seguros, terem um tempo de vida estendido e serem mais estáveis, dessa forma o alimento terá mais odor e por mais tempo.”