Notícia

JorNow

Pesquisa da USCS analisa como associações mantêm viva a cultura alemã no Brasil

Publicado em 07 outubro 2015

Uma análise de como a cultura alemã é disseminada na região metropolitana paulista. Esta foi a proposta da dissertação de Alberto Iszlaji Júnior, intitulada Lyra e Kolping: comunicação e identidade de associações culturais germânicas no bairro de Campo Belo (SP). O estudo, que resultou na sua dissertação de Mestrado em Comunicação na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), propõe uma reflexão sobre como as associações culturais se organizam e se comunicam com as comunidades ligadas à tradição germânica. Neste contexto, a comunicação, capaz de resgatar histórias e construir identidades, contribui para vencer o desafio de manter viva esta tradição no Brasil, diante de tantas transformações sociais no mundo moderno.

 

Graduado em História, o pesquisador recorreu às memórias de pessoas que integram duas entidades localizadas no bairro Campo Belo, em São Paulo: a Sociedade Filarmônica Lyra e a Associação Católica Kolping. Por meio de narrativas orais das histórias de vida dos personagens dessas comunidades e análise de documentos pessoais, Alberto analisou como as práticas culturais dessas associações ajudam a conservar a tradição e costumes alemães na capital paulista.

 

Com a investigação, o mestre em Comunicação identificou que a manutenção da cultura alemã tem cinco aspectos importantes: a existência da língua estrangeira nessas comunidades; a expressão artística (música e dança); o acesso aos meios de comunicação como jornais, boletins e internet; relações profissionais; e a culinária daquele país. "Esse movimento cultural oscila entre as práticas tradicionais de comunicação e as tentativas de inovar para garantir a própria permanência", revela o autor.

 

Segundo Alberto Iszlaji, tanto a língua alemã quanto as práticas cotidianas desse povo, além da relação com os meios de comunicação, formam "um conjunto de práticas comunicativas mediadas pela cultura". A conclusão do pesquisador é de que esses laços, principalmente a língua, são responsáveis pela construção da identidade e sentimentos de pertencimento à comunidade, que, segundo ele, vive em constante transformação. "O sentimento de pertencimento e a formação de comunidade são importantes para esse grupo, juntos, eles se sentem seguros e podem resistir às perseguições."

 

Durante a pesquisa, o autor identificou o uso da internet e de mídias sociais como uma ferramenta inovadora utilizada pelas associações para difundir suas atividades, numa tentativa de acompanhar os novos tempos. "Nesse sentido, pode ser considerada uma inovação nas formas de comunicação dessas duas associações, pois deram novo significado a uma estratégia antiga como a circular", resume.

 

Orientadora do estudo, a professora Priscila Perazzo reforça que a pesquisa do historiador é complemento de uma que a própria iniciou sobre as comunidades alemãs que existem no Brasil. Segundo a educadora, o surgimento de novos trabalhos abordando a temática demonstra o quanto a memória deste povo ainda deve ser investigada. "A dissertação de Alberto corresponde ao primeiro resultado obtido de uma pesquisa maior sobre a memória da comunidade alemã, desenvolvida desde o meu projeto financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) até pesquisas de mestrandos como essa e iniciação científica", destaca.

 

Vinculada à primeira linha de pesquisa do Mestrado em Comunicação da USCS, Processos comunicacionais: inovação e comunidades, o estudo ajuda a compreender que as instituições são fundamentais para manter a memória alemã em terras brasileiras. "As associações se esforçam para manter viva a cultura que receberam de seus pais e se sentem obrigados a passá-la em diante. A identidade dos entrevistados está atrelada a esses espaços", explica o pesquisador, ao concluir que "é a prática cotidiana das associações que mantém a cultura e a identidade dos seus membros".