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Pesquisa da Unicamp cria fibra ótica biodegradável que pode ser absorvida pelo corpo humano

Publicado em 12 maio 2020

Uma fibra óptica feita de alga marinha foi produzida por pesquisadores na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das três grandes universidades públicas do estado de São Paulo. A fibra ótica desenvolvida é comestível, biocompatível e biodegradável, anota reportagem de José Tadeu Arantes, da Agência Fapesp.

Ela é feita ágar, também chamada de ágar-ágar, que é uma gelatina natural extraída de algas marinhas. “Nossa fibra óptica consiste em um cilindro de ágar, com diâmetro externo de 2,5 milímetros [mm], e um arranjo interno regular de seis orifícios cilíndricos de ar, com 0,5 mm de diâmetro cada um, circundando um núcleo sólido. A luz é confinada devido à diferença entre os índices de refração do núcleo de ágar e dos buracos de ar”, disse Eric Fujiwara, da Faculdade de Engenharia Mecância da Unicamp.

Os pesquisadores acreditam que a fibra ótica poderá ser usada para produzir imagem de estruturas corporais, fototerapia ou optogenética (por exemplo, a estimulação de neurônios pela luz para estudo de circuitos neuronais) e até entrega localizada de medicamentos dentro do organismo, já que pode ser absorvida pelo corpo humano.

A nova fibra foi testada em diferentes meios: ar, água, etanol e acetona. E verificaram que ela é sensível ao contexto. “O fato de a gelatina sofrer alterações estruturais sob variações de temperatura, umidade e pH torna a fibra adequada para fins de sensoriamento óptico”, afirma Fujiwara.

A pesquisa, apoiada pela agência pública de financiamento de São Paulo (Fapesp), foi desenvolvida e liderada pelos professores Eric Fujiwara (Faculdade de Engenharia Mecânica, Unicamp) e Cristiano Cordeiro (Instituto de Física GlebWataghin, Unicamp), em colaboração com o professor Hiromasa Oku (Universidade de Gunma, Japão).

A descoberta foi publicada no periódico Scientific Reports, do Grupo Nature. O artigo Agarose-based structured optical fibre pode ser lido em www.nature.com/articles/s41598-020-64103-3. (Com informações de José Tadeu Arantes, da Agência Fapesp)

Fonte: Carta Campinas