Notícia

Folha Universitária

Pesquisa da UNIBAN conquista primeira patente internacional

Publicado em 27 abril 2009

Um estudo que nasceu no laboratório de Pesquisa em Síntese Orgânica da UNIBAN ganhou, em outubro de 2008, um reconhecimento internacional. E não é para menos, a pesquisa desenvolvida pelo prof. Dr. José Agustín Quincoces Suárez, juntamente com outros pesquisadores, tem como objetivo desenvolver uma propriedade de combate ao câncer. O estudo foi realizado a partir do composto natural encontrado na baunilha, e conquistou patente nos Estados Unidos da América.

O trabalho experimental financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que investiu cerca de R$ 1 milhão, teve a parte química realizada na UNIBAN, a parte toxicológica e antitumoral no CPQBA da UNICAMP e outra parte na Alemanha.

Para a realização da pesquisa foram protegidas sínteses do produto natural, que são encontradas em planta da flora brasileira, tornando-a patente-mãe.

A partir dela surgiram outros derivados, que também viraram patentes, e mostraram que esta estrutura sintetizada é eficaz como substância antiproliferativa, antimutagênica e antiparasitária. Outros testes foram realizados, transformando a molécula de modo a ser solubilizada em água, resultando em outros derivados e comprovando que a estrutura molecular é competente no que diz respeito ao combate de proliferação de célula tumoral.

Foram feitos testes “in vitro” em culturas de células cancerígenas do pulmão, mama (normal e resistente a múltiplas drogas), melanoma, cólon, rins, ovários, próstata e leucemia. “Todos os tipos de câncer que foram tratados com o produto foram eliminados no teste “in vitro” que fizemos. Os resultados são surpreendentes”, afirma o professor.

A partir dessa patente, os pesquisadores desenvolveram testes “in vivo”, com camundongos. “Foram inseridos tumores e depois as substâncias, e também tivemos resultados positivos”, diz Quincoces. Ele ainda afirma que vai levar um tempo para que os testes sejam realizados em humanos. “Ainda precisam ser feitos outros testes em animais”.

Segundo Quincoces, o estudo teve início em 1999. E no ano de 2002 houve a solicitação da patente aqui no Brasil. No entanto, por conta de burocracias, ainda não foi concedida. Já a patente americana foi solicitada em 2006 e aprovada dois anos depois. “Os EUA não aprovam qualquer coisa. Você pode solicitar várias patentes, agora, só é aprovada a patente que realmente cumpre com o quesito qualidade”, explica o pesquisador. Além desses dois países, a patente também foi solicitada no Japão e na Europa, e estamos no aguardo dos correspondentes certificados de aprovação.

Esta é a primeira patente internacional que a UNIBAN conquista. E, para Quincoces, ela é uma grande vantagem, pois poucas universidades do Brasil têm patentes como esta.

O que é uma Patente?

De acordo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), patente é “todo invento original em nível internacional, que seja útil e apresente potencial para comercialização. Sendo assim, pode ser patenteado, em um ou mais países, assegurando aos titulares da patente o direito de produção e exploração comercial do produto originado nos países em que foi patenteado”.