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Pesquisa da UFSCar sobre dor lombar crônica busca voluntários

Publicado em 08 janeiro 2021

O Laboratório do Estudo da Dor e Funcionalidade no Envelhecimento (Ladorfe), do Departamento de Gerontologia (DGero) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), faz um chamamento até hoje (8) para recrutar voluntários para estudo relacionado à dor lombar crônica inespecífica (DLCI) em adultos e idosos.

Os interessados – homens ou mulheres, entre 18 e 59 anos que tenham dor lombar crônica há mais de seis meses, de qualquer região do País- podem solicitar o formulário de inscrição pelo e-mail [email protected] ou acessar o endereço https://bit.ly/2K2kkls para o preenchimento.

O trabalho será realizado pela graduanda em Gerontologia da UFSCar Maria Júlia da Cruz Souza, sob orientação de Karina Gramani Say, docente do DGero e coordenadora do Ladorfe, e tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A dor lombar crônica (DLC) ocorre na região lombar inferior e pode irradiar para as pernas, com duração maior do que três meses. É considerada inespecífica quando a causa da dor não está relacionada à alteração estrutural, lesão óssea ou articular, escoliose ou lordose acentuada.

De acordo com a professora Karina, estudos de 2019 indicam que a Dor Lombar Crônica (DLC) ocorre em 70 a 80% dos adultos em algum momento de suas vidas. A literatura identificou que cerca de 23,5% da população mundial apresenta dor lombar crônica. “Em relação ao cenário brasileiro, encontrou-se valores que variam entre 4,2% e 25%, mas pela falta de estudos epidemiológicos, esses dados não refletem o real impacto da dor lombar crônica no País”.

Ela complementa: O avanço do estudo sobre Dor Lombar Crônica Inespecífica (DLCI), ainda não se tem estudos epidemiológicos que refletem o seu verdadeiro impacto no Brasil.

A neurociência ensina ao paciente a compreender o processo fisiológico da dor para encontrar mecanismo de sobrevivência para proteger o corpo. “A dor também está no cérebro e não é apenas uma sensação física”.

Como funcionará a pesquisa remota

A pesquisa é composta por cinco etapas, sendo elas: Avaliação Inicial, Educação em Neurociências da Dor (END), Exercícios do Método Pilates, Intervenção com o Aplicativo Educativo em Saúde e a Reavaliação Final.

“Em paralelo, teremos mais duas intervenções, que ocorrerá desde o primeiro até o último dia da pesquisa, que é o preenchimento do diário da dor para acompanhamento dos aspectos envolvidos com a dor que são individuais e uso da Cartilha de Orientação para manejo da dor Lombar e realização de exercícios domiciliares”.

Karina explica que para a pesquisa produz dados fidedignos, será necessário que os voluntários participem ativamente, com comprometimento de realizar todas as etapas.

“Apesar da intervenção ser remota os pacientes terão contato semanalmente com a equipe que realizará o pilates para esclarecimentos dos exercícios e com os pesquisadores para a verificação do diário da dor o que permitirá a criação de um vínculo, importantíssimo para o tratamento, mas também de suporte para algum dificuldade e orientações a todos os voluntários”, explicou a coordenadora.

No desenvolvimento do projeto, definimos que utilizaríamos um Protocolo do Método Pilates Solo, assim todos conseguem realizar todos os exercícios propostos, sem a utilização de equipamentos específicos. Mas é preciso para participar da pesquisa que os voluntários tenham acesso à internet para poderem fazer as avaliações e reavaliações e receberem as intervenções de Educação em Neurociências da Dor, aplicativo de educação em dor e exercícios do pilates.

Origem do projeto

Karina revelou: Quando a pesquisa começou a ser desenvolvida, ela foi planejada para ser executada de forma presencial, desde as avaliações à prática de exercícios, a ser realizada dentro do Centro de Referência do Atendimento Interdisciplinar da Dor, a Clínica da Dor da UFSCar que é estruturada dentro do tripé de ensino, pesquisa e assistência a comunidade.

Entretanto, com a Pandemia do COVID-19, foi necessário a adaptação total da pesquisa, de forma que a pesquisa proporcionasse resultados tão positivos quanto no presencial. “As investigações realizadas com esse estudo permitiram o ajuste ao formato remoto. Com isso, foi necessário adaptar a forma de recrutamento e seleção dos voluntários, a aplicação dos questionários e, principalmente, as intervenções com a prática de exercícios e o uso do aplicativo em saúde”, disse.

Ela ressaltou, o lado bom que aplicarão a seleção para além do município de São Carlos, podendo acolher um número maior de pessoas no País e principalmente oferta atendimento respaldado na ciência para a população que tem dor lombar que muitas vezes com o distanciamento social ficou sem atendimento e quem tem dor tem pressa.

As atividades serão iniciadas neste mês de janeiro e haverá novo grupo ao longo do ano para pessoas acima de 60 anos de idade.