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Pesquisa da UFSCar relaciona matriz extracelular à longevidade e combate a doenças

Publicado em 30 novembro 2016

A fim de conhecer os processos de longevidade celular e da prática de exercícios físicos como forma de prevenção dos efeitos deletérios do envelhecimento e de doenças como o câncer, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está investigando o comportamento da matriz extracelular. A matriz, que faz parte do microambiente que envolve as células, fornece volume, tamanho e força para muitos tecidos, além de ser a base de sustentação para o crescimento, divisão e a migração celular.

“O objetivo do projeto é contribuir para o conhecimento das funções da matriz extracelular, que vão bem mais além da função estrutural e de suporte mecânico”, explica Heloísa Sobreiro Selistre de Araújo, professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da UFSCar e coordenadora da pesquisa. “Composta por um arranjo complexo de macromoléculas, juntamente aos vasos sanguíneos e linfáticos, nervos e outras estruturas, a matriz extracelular influencia ativamente o comportamento das células, a polaridade celular, diferenciação, proliferação e sobrevivência das células, fornecendo sinais que são transmitidos ao citoesqueleto (estrutura celular) e determinando o destino da célula”, detalha a pesquisadora e coordenadora do projeto temático da Fapesp, que reúne, ao todo, 29 pesquisadores, entre docentes e alunos de pós-graduação de diversos laboratórios da UFSCar e, também, da Unifesp.

“O envelhecimento é um processo complexo e multifatorial caracterizado pelo acúmulo de alterações deletérias nas células e tecidos, que culmina na deterioração progressiva da integridade estrutural e funções fisiológicas. O envelhecimento é um dos maiores fatores de risco para doenças crônicas como câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e doenças degenerativas como a osteoartrite e neurodegenerativas”. Para os pesquisadores, a compreensão da matriz extracelular é uma das chaves para ajudar no combate ao câncer. “Em processos patológicos como o câncer, a matriz extracelular tumoral não funciona apenas como uma estrutura tridimensional, necessária para sustentação e homeostase dos tecidos. Ela influencia o comportamento do tumor, agindo de forma a favorecer sua sobrevivência e crescimento”, completa Heloísa.

Estratégias
O estudo aposta nos exercícios físicos como uma das estratégias para retardar o envelhecimento celular e também doenças como o câncer. Uma das hipóteses de pesquisa é de que os exercícios são capazes de defender a matriz extracelular e as células do aparecimento e da disseminação de células cancerígenas. “A compreensão das alterações celulares e moleculares que ocorrem no envelhecimento e nas doenças crônicas a ele associadas – como o câncer – poderão servir para a busca de estratégias que possam minimizar tais efeitos. Uma estratégia não farmacológica que já vem sendo utilizada com sucesso na prevenção dos efeitos deletérios do envelhecimento é o exercício físico”, relata.

Os pesquisadores realizam ensaios in vitro com culturas de células tumorais e saudáveis, ensaios in vivo com animais e estudos envolvendo materiais humanos com amostras de bancos de tecidos tumorais, provenientes do Biobanco do Departamento de Patologia da Unifesp. A pesquisa deve ser finalizada em dezembro de 2017. “Esperamos, com este projeto, contribuir significativamente para o avanço do conhecimento básico sobre o papel da matriz extracelular no processo de envelhecimento e treinamento de força, objetivando a melhora na qualidade de vida dos idosos. Na área de câncer, espera-se contribuir para o desenho de fármacos”, afirma.

Equipe

A coordenadora do projeto explica que a matriz extracelular, seu remodelamento e interações, quer seja entre as macromoléculas que a constituem, quer seja com diferentes tipos celulares, representa uma área de pesquisa situada na fronteira do conhecimento, tornando o projeto pioneiro em atrelar tais linhas de pesquisa.

O projeto temático “A matriz extracelular no envelhecimento, no exercício e no microambiente tumoral” recebe financiamento da Fapesp e conta com pesquisadores da UFSCar e de outras universidades. Estão envolvidos 18 alunos de pós-graduação, nove docentes da UFSCar, além de dois professores da Unifesp. Mais informações sobre o trabalho podem ser consultadas em www.m3c.ufscar.br/pt-br.