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Pesquisa da Ufpel sobre prevalência da Covid-19 no Brasil continua, mas sem verba federal

Publicado em 31 agosto 2020

Por Rafael Garcia | O Globo

A pesquisa EpiCovid-19 BR, que aplica testes de anticorpos em amostras da população em 133 cidades brasileiras para estimar a prevalência da doença, terá mais três etapas, uma delas já teve início neste domingo (30).

O projeto, que havia sido interrompido depois que o Ministério da Saúde cortou sua verba, será bancado agora pela Fapesp, agência estadual de fomento à ciência de São Paulo, e pelo Todos pela Saúde, iniciativa do banco Itaú Unibanco para resposta à Covid-19 no Brasil.

A pesquisa é considerada importante porque, ao usar seleção de grupos aleatórios por amostragem, oferece uma estimativa da prevalência da doença que captura casos assintomáticos da Covid-19. A EpiCovid-19 BR também busca analisar melhor a tendência de evolução da epidemia no Brasil, tentando compensar o problema de subnotificação que é inerente ao registro de casos sintomáticos que alimenta os números oficiais da doença.

Durante as seis semanas em que as três primeiras etapas da pesquisa correram, o projeto mostrou que a epidemia de Covid-19 dobrou no período, entre maio e junho, passando de 1,9% para 3,8% da população, de acordo com uma amostra de mais de 89 mil pessoas testadas.

"O EpiCovid-19 é o mais abrangente estudo epidemiológico sendo feito no Brasil com relação à presente epidemia de coronavírus. Seus resultados terão impacto no entendimento da imunidade coletiva, da taxa de contágio e, por conseguinte no retorno das atividades", afirmou Luiz Eugênio Mello, diretor científico da Fapesp, em comunicado à imprensa.

O tipo de teste usado na pesquisa é mais adequado para avaliar tendência de epidemia porque, ao contrário do PCR, o teste genético que revela a presença do vírus no organismo, os testes de anticorpos são capazes de revelar se o indivíduo teve a doença e já se recuperou.

"A continuação do EpiCovid-19, agora com novos financiadores, é essencial para a compreensão da evolução do coronavírus no Brasil. O estudo já mostrou que as crianças têm o mesmo risco de infecção que os adultos, que a maioria dos infectados apresenta sintomas e que os mais pobres possuem mais risco de infecção do que os mais ricos. As novas fases permitirão que o estudo siga produzindo conhecimento para o enfrentamento do coronavírus no Brasil e no mundo", afirmou Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas (RS) e coordenador-geral da pesquisa.

Com a entrada do estado de São Paulo como financiador, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) também passa a integrar a pesquisa.

Segundo a Fapesp, as três últimas etapas da pesquisa seguirão a mesma metodologia das anteriores. Serão usados testes sorológicos rápidos da marca chinesa Wondfo, adquiridos pelo governo federal, para fazer os exames. Os testes são de aplicação simples e serão realizados pelos mesmos entrevistadores do Ibope que buscarão os voluntários selecionados por amostragem, realizando também preve perfil social dos respondentes.

Durante as três fases anteriores da pesquisa, entre maio e junho, a EpiCovid-19 revelou que a prevalência acumulada da Covid-19 dobrou no país,