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Pesquisa da PUC-SP propõe alternativa a transplantes de órgãos e tecidos

Publicado em 28 agosto 2017

Desde 1998, o campus Sorocaba da PUC-SP analisa a reconstrução celular de órgãos e tecidos a partir de células extraídas da própria pessoa, com a utilização de polímeros bioabsorvíveis. O estudo conta com fomentos da Fapesp, CNPq e Finep. Segundo a professora Eliana Duek, que coordena a pesquisa, isso poderá se tornar realidade dentro de cinco a dez anos.

A possibilidade é vista com grande expectativa, sobretudo porque poderá representar uma opção para as pessoas que esperam por um órgão compatível e para aquelas que sofreram acidentes ou sequelas nos ossos ou na pele, por exemplo.

Dependendo da complexidade estrutural da célula que será reconstruída, o processo pode levar até 90 dias – ou seja, muito menos do que o tempo médio de espera na fila de transplantes.

Nos Estados Unidos, os estudos nesse sentido estão mais avançados. Atualmente, nove órgãos são avaliados para reprodução por esta técnica. “Esta área do conhecimento é denominada engenharia tecidual. Nela, são aplicados princípios da engenharia e das ciências da vida, com o objetivo de desenvolver substitutos biológicos para restaurar, manter ou melhorar a função de uma parte do corpo”, explica a professora da PUC-SP.

O objetivo inicial da pesquisa conduzida por Eliana era desenvolver órteses, próteses e materiais especiais como alternativa aos itens tradicionais da ortopedia, principalmente àqueles de interferência, destinados às articulações ósseas e feitos de metais caros.

O primeiro significativo progresso da equipe veio em 2003, quando foi possível produzir dispositivos capazes de realizar o primeiro implante em animais.

“Foi um grande avanço”, relembra Eliana. Pouco depois, foi dado um passo ainda maior: sintetizou-se o polímero no próprio laboratório. A inovação foi patenteada em 2005, tornando a universidade pioneira nessa área em todo o Brasil.

De acordo com o pró-reitor de pós-graduação, Márcio Alves da Fonseca, “o estudo se destaca pela qualidade e importância. É altamente relevante para a saúde da população brasileira – particularmente, para os usuários do SUS, na medida em que busca viabilizar a eles o acesso a uma biotecnologia das mais avançadas”.

Com a recente liberação de alguns fármacos pela Anvisa, o Laboratório de Biomateriais da PUC-SP dispõe dos requisitos necessários para desenvolver nanoesferas de polímeros bioabsorvíveis, do tamanho de grãos de pó. Capazes de armazenar medicamentos, elas são introduzidas no corpo humano e liberam a substância localmente e na quantidade ideal, potencializando seus efeitos.

Fonte: Assessoria