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Planeta Universitário

Pesquisa da FOP recebe Prêmio Hatton em San Diego

Publicado em 23 março 2011

A Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) conquistou no último final de semana o Prêmio Internacional "Hatton", entegue durante o Congresso anual da IADR (International Association for Dental Research), realizado em San Diego, nos Estados Unidos. O prêmio foi concedido a Luciana Salles Branco de Almeida, ex-aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação da área de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica da FOP. A aluna foi orientada pelos professores Pedro Rosalen, da FOP e co-orientada por Gilson Nobre-Franco, também ex-aluno e professor da Unitau (Universidade de Taubaté).No trabalho, a pesquisadora demonstrou os efeitos da Fluoxetina, medicamento usado para depressão, sobre a diminuição da produção de mediadores da inflamação pelas células dendríticas e consequente diminuição da perda óssea na doença periodontal. Além disso, a descoberta pode causar impacto no tratamento para outras doenças auto-imunes (como artrite reumatóide) e outras condições que envolvam a ativação de linfócitos.

A pesquisa foi selecionada pela Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica (SBPqO) para representar o Brasil no congresso de San Diego e competir pelo Prêmio Internacional "Hatton", nunca antes conquistado por um pesquisador de universidade brasileira. Pela natureza e categoria do prêmio, coube à ex-aluna a defesa da pesquisa a um júri internacional formado por um pesquisador francês - presidente, um americano e outro da Escandinávia, em San Diego, na Califórnia, no dia 16 de março.

O trabalho de Luciana foi idealizado totalmente na FOP e contou com a parceria do "The Forsyth Institute" (Harvard Dental/Medical School, Cambridge, MA, EUA), sob colaboração do pesquisador Toshihisa Kawai, durante o período de doutorado "Sanduíche", realizado pela ex-aluna naquele instituto, ao final do seu doutorado. Além disso, teve seu mérito reconhecido pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Sao Paulo (Fapesp), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e National Institute of Health (NHI), dos Estados Unidos, que concederam apoio financeiro.

O Hatton é um dos mais prestigiosos prêmios científicos internacionais em Odontologia. Ele revela novas conquistas no campo da ciências da saúde - pesquisas inéditas - e jovens pesquisadores de destaque à comunidade científica internacional. Além disso, coloca o Brasil mais uma vez perante a comunidade científica e dá visibilidade, importância e qualidade da pesquisa de odontologia nacional. A conquista ganha também destaque especialmente neste momento em que o Brasil é reconhecido como sendo o 13º maior produtor de ciência do mundo, segundo dados de um relatório da Unesco (2010), no qual é  mencionada a importância das três universidade públicas paulistas, entre elas a Unicamp.

O prêmio Hatton foi concedido pela primeira vez em 22 de marco de 1957, no encontro mundial da IADR, na cidade de Atlantic City, Nova Jersey, EUA, em homenagem a um dos diretores mais atuante  da IADR,  Edward H. Hatton.  O  objetivo de criação foi reconhecer os novos investigadores científicos no mundo e as pesquisas inéditas e relevantes na área de saúde bucal. Desde então, anualmente, o reconhecimento da pesquisa odontológica vem sendo feito, em parte, com a entrega do prêmio Hatton Internacional, sob o patrocínio de empresas que atuam na saúde oral, e desde o ano 2000,  com o patrocínio exclusivo da Unilever Oral Care. Neste ano, concorreram na categoria "sênior", em sua fase final, 32 trabalhos de pesquisa representantes da América do Norte (6), Europa (8), Ásia (9), África e Oriente Médio (2) e América Latina (7).

A hipótese desse trabalho surgiu devido a estudos recentes demonstrarem que a Fluoxetina, um antedepressimo muito seguro, bem tolerado pelos pacientes e amplamente utilizado pela sociedade moderna, possui propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras (regula a resposta imunológica do organismo). Assim, os pesquisadores pensaram que ela pudesse ser capaz de modular a resposta inflamatória do hospedeiro portador da doença periodontal, que é uma doença crônica inflamatória relacionada à resposta imune do hospedeiro e este fármaco pudesse atuar como um coadjuvante ao tratamento periodontal convencional, caso fosse capaz de modular a resposta do hospedeiro.

Os pesquisadores observaram que a Fluoxetina interfere na apresentação do antígeno aos linfócitos T pelas células dendríticas, que são as principais células apresentadoras de antígenos do sistema imune. A Fluoxetina diminui a produção de importantes mediadores inflamatórios pelas células dendríticas, bem como a expressão de uma importante molécula (ICOS-L) co-estimuladora para os linfócitos T. Ainda, quando se utilizou culturas de células dendríticas tratadas com a Fluoxetina juntamente com linfócitos T, observou-se uma diminuição da produção de RANKL pelos linfócitos T. "Como o RANKL é uma molécula diretamente relacionada à ativação de osteoclastos, decidimos testar o efeito da Fluoxetina sobre a perda óssea induzida em um modelo animal de doença periodontal RANKL-dependente. A Fluoxetina reduziu significativamente a perda óssea nos camundongos tratados, demonstrando uma interessante capacidade de modular a resposta do hospedeiro na doença periodontal", comenta Luciana.

Os autores afirmam que esses achados dos efeitos da Fluoxetina sobre as células dendríticas e a doença periodontal são inéditos. Ainda, com estes resultados, os pesquisadores acreditam que esta descoberta sobre o efeito da fluoxetina na modulacao da resposta inflamatória e imunológica podem causar impacto na terapêutica de outras doenças auto-imunes (como a artrite reumatóide) e outras condições que envolvam a ativação de linfócitos T.

Reconhecimento
Jacks Jorge Junior, diretor da FOP, disse que a unidade vem trabalhando focada no intuito disponibilizar ferramentas para que os docentes desenvolvam pesquisas da melhor forma possível. O prêmio de Luciana demonstra a força da pesquisa brasileira no cenário internacional.

O prêmio tem significado importante em duas frentes. Tanto na instituição, ou seja, na internacionalização da FOP e por consequência da Unicamp, conta a coordenadora de pós-graduação Renata Cunha, como nos Programas de Pós-Graduação, onde existe um grande interesse do Governo Federal em sua internacionalização, assim como as Universidades.

Segundo ela, o prêmio também salienta a importância da participação dos professores e alunos da FOP em congressos e encontros internacionais, onde é possível o estabelecimento de contatos com professores e pesquisadores estrangeiros de renome na área de atuação, que possibilita o estabelecimento de projetos de pesquisa em conjunto, reforçando a qualidade de nossas pesquisas.  Assim, o prêmio permite não somente o aumento da visibilidade da própria instituição, como também atende aos anseios e esforços do Governo Federal na busca por maior internacionalização dos Programas de Pós-Graduação.

Comunicação Social
Unicamp