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Pirajuí

Pesquisa da FOB identifica proteínas que podem 'prever' piora da Covid-19

Publicado em 02 fevereiro 2021

O estudo analisa se elas funcionam como marcadores de prognóstico, indicando evolução a formas graves ou leves da doença

Pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP) identificaram proteínas presentes no plasma sanguíneo de pacientes hospitalizados por Covid-19 que podem indicar a possibilidade de uma futura evolução grave da doença. O estudo, que ainda está em andamento, também poderá ser útil, se as avaliações preliminares forem confirmadas, para orientar a conduta dos médicos no tratamento destes pacientes.

Pesquisadora do Departamento de Ciências Biológicas da FOB, Marília Rabelo Buzalaf explica que, para o levantamento, foram coletadas amostras de sangue de 163 pacientes internados no Hospital Estadual com diagnóstico confirmado de Covid-19. Eles foram divididos em três grupos: casos leves, que não demandaram internação em UTI; casos severos, que precisaram de internação em UTI; e casos críticos, que evoluíram para óbito.

"Coletamos a amostra de sangue no primeiro dia de internação destes pacientes e achamos uma grande gama de proteínas que foram diferentes para cada um dos grupos", aponta. Desta forma, acredita-se que ao menos parte destas proteínas possa funcionar como marcador, indicando qual é o prognóstico do paciente: se ele tem mais chances de evoluir bem, de apresentar sintomas graves a até mesmo ir a óbito.

O estudo integra a tese de doutorado de Daniele Castro di Flora, orientada por Marília, e conta com a colaboração de Carlos Ferreira dos Santos, diretor da FOB/USP; Deborah Maciel Cavalcanti Rosa, diretora do Hospital Estadual; e Virginia Bodelão Richini Pereira, do Instituto Adolfo Lutz de Bauru. O grupo de pesquisadores é apoiado pela Fapesp. Os dados preliminares foram publicados na plataforma medRxiv, ainda sem a revisão de pares.

MARCADORES

Marília conta que, entre todas as proteínas identificadas, foram selecionadas sete com maior potencial para serem utilizadas como marcadores de prognóstico. São moléculas, por exemplo, associadas à resposta imunológica, proteção dos pulmões, complicações vasculares e descontrole inflamatório (tempestade de citocinas), comuns em alguns pacientes com Covid-19.

"Das sete proteínas, seis estavam presentes em pacientes com sintomas leves e uma, a Galectina-10 (Gal-10), foi exclusiva dos pacientes que foram a óbito. É uma molécula liberada quando morrem células de defesa do sangue, os eosinófilos, e que tem efeito pró-inflamatório, atraindo outras células inflamatórias que produzem citocinas, que levam ao descontrole da inflamação", detalha.

Ainda de acordo com a pesquisadora, um estudo recente, não relacionado à Covid-19, mostrou que anticorpos contra a Gal-10 conseguem dissolver completamente os cristais formados pela junção destas moléculas. "Agora, estamos aguardando a chegada de reagentes para validar o aumento desta proteína no plasma dos pacientes que participaram do estudo. Se o fenômeno for confirmado, poderemos utilizá-la como marcador de prognóstico e também para determinar possíveis tratamentos contra a Covid, a partir da utilização de anticorpos contra a Gal-10 para reduzir o potencial inflamatório destes cristais logo que o paciente é internado", conclui Buzalaf.

Fonte(s): Jcnet