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Pesquisa da FAU-USP pretende aproximar arquitetos e engenheiros aos operários

Publicado em 30 julho 2012

Uma pesquisa de mestrado feita na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) analisou uma série de ações para colocar operários e arquitetos no mesmo nível de trabalho, substituindo a hierarquia vertical e a dominação pelo diálogo. O arquiteto Francisco Barros desenvolveu a pesquisa ao visitar três locais de formação profissional que buscam formas de ensino em que todos participam do processo completo de construção.

O trabalho foi orientado pelo professor Reginaldo Ronconi e teve apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O pesquisador identificou 24 ações pedagógicas dialógicas que podem contribuir para uma formação menos alienada dos profissionais, sejam eles operários ou arquitetos e engenheiros. Estas ações têm o objetivo de aproximar os trabalhadores dos produtos de seu trabalho e o projeto ao processo de construção, levando a uma melhor organização entre os profissionais.

O primeiro local visitado foi a Escola Municipal de Ensino Profissional em Construção Civil Madre Celina Polci, localizada em São Bernardo do Campo. A escola oferece cursos de alvenaria e instalações elétricas, entre outros, e os alunos passam por aulas teóricas e práticas, sendo que o canteiro de obras e a sala de aula não estão separados.

Barros também trabalhou como estagiário na disciplina Técnicas Alternativas de Construção, do curso de Arquitetura da FAU. O pesquisador ficou ao lado dos docentes acompanhando as atividades dos alunos no canteiro experimental, já que a disciplina tem o objetivo de mostrar aos estudantes a prática real da arquitetura.

Por fim, o arquiteto visitou a reforma de uma das casas da Escola Nacional Florestan Fernandes, entidade criada por militantes de movimentos sociais e trabalhadores sem terra. O trabalho foi feito pela equipe de construção da própria escola, junto com coletivos da FAU. As questões relativas à obra eram debatidas pelo grupo em assembleia, sendo decididas por meio do diálogo sem hierarquia.

Durante as visitas, Barros realizou entrevistas para identificar as dificuldades de cada uma das iniciativas. Com os depoimentos, avaliou as experiências e chegou a medidas adequadas para que as ações fossem aperfeiçoadas.

De acordo com o pesquisador, as formas de ensino pesquisadas, apesar de combaterem diferentes tipos de alienação, devem ser tomadas em conjunto para que o resultado seja satisfatório.