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Jornal de Piracicaba online

Pesquisa critica criação em gaiolas

Publicado em 01 agosto 2006

Razões econômicas e sanitárias levam a maioria dos avicultores brasileiros a criar galinhas confinadas em gaiolas, o que dá ao animal pouco espaço para se movimentar, direcionando grande parte da sua energia para a produção de ovos.
Pesquisa de doutorado realizada pela zootecnista Sulivan Pereira Alves, do Nupea (Núcleo de Pesquisa em Ambiência), da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), mostra que esses sistemas podem comprometer o bem-estar da ave.
Os sistemas de gaiolas, de acordo com os resultados do experimento, podem aumentar a suscetibilidade dos animais às variações climáticas e situações de estresse decorrentes, com reflexos na qualidade dos ovos. Essa queda na qualidade dos ovos não traz riscos ao consumidor, são inclusive mais limpos.
Sulivan explica que, dependendo das condições climáticas onde é realizada a criação, esses ovos em gaiola podem ter a casca mais fina, com maior risco de quebra, gerando perdas no mercado.
"As aves são animais que produzem muito calor e aquelas que ficam presas em gaiolas são privadas de realizar comportamentos característicos, como tomar banho de areia, ruflar as penas ou se empoleirar", explica a zootecnista, destacando que esses movimentos, além de proporcionarem conforto às aves, auxiliam o animal na trocar calor com o ambiente.
Em contrapartida, as aves em gaiolas geralmente têm melhores condições sanitárias, uma vez que ficam em um nível acima do chão e o piso é a grade das gaiolas, o que faz com as aves não tenham contato com as fezes.
O sistema de criação em gaiola é o sistema tradicional em que as aves são criadas em gaiolas de arame galvanizado. São alojados de nove a dez animais em cada gaiola com 1,00x0,40x045m (largura, profundidade e altura).
Sulivan enfatiza que, no caso do Brasil, as condições climáticas podem comprometer a produção de aves, anulando suas vantagens sobre os sistemas de criação alternativos, como o de cama.
"As conseqüências para a produção e qualidade dependerão do manejo direcionado à criação, e o produtor que investe em galpões adequadamente climatizados, confere melhores condições para seus animais", ressalta Sulivan.
Financiada pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a pesquisa utilizou a metodologia da análise de imagens para definir o nível de bem estar das aves.}
Ela explica que de março a julho do ano passado, junto ao Nupea, foram simulados em um mesmo galpão dois sistemas de criação —— em cama e gaiola —— e em ambos foram instaladas câmeras de vídeo, que gravaram o comportamento das aves, sem a interferência do homem.
A pesquisadora explica que o sistema de produção em cama consiste numa área cercada onde são instaladas, de acordo com normas da União Européia, no máximo nove animais por metro quadrado.
No experimento que ela conduziu, esse número foi reduzido para sete aves, dispostas sobre um piso forrado com casca de arroz, onde também havia espaço para o uso de um poleiro e de uma área para o animal construir seu ninho.
"O sistema de cama dá às aves a oportunidade de realizar comportamentos naturais da espécie, como ciscar, empoleirar e botar ovos no ninho, o que é muito importante para assegurar seu bem estar", destaca.