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Pesquisa comprova que eucalipto pode virar etanol

Publicado em 15 janeiro 2011

Por Edilson Oliveira

As cascas de eucalipto que geralmente não são aproveitadas podem virar combustível. É o que indica uma pesquisa realizada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. O estudo revela que é possível produzir etanol a partir do material lenhoso.

Sem deixar de reconhecer que a cana-de-açúcar é uma das principais fontes de biomassa para a geração de energia, Carlos Alberto Labate, que é professor do Departamento de Genética da Esalq, destacou a importância das cascas do eucalipto.

Atualmente, esses resíduos permanecem no solo das plantações após a extração do tronco da árvore, que normalmente é destinada à indústria de papel e celulose. `Uma quantidade razoável de casca é dispensada no solo com o corte da madeira, algo em torno de 20 toneladas por hectare. Ao ser fermentado ao longo dos anos, esse material libera gases do efeito estufa`, disse Labate.

Conforme os experimentos do químico Juliano Bragatto, uma tonelada de resíduos de eucalipto gera 200 quilos de açúcares, que permitirão produzir 100 litros de etanol. O número pode dobrar com o aproveitamento do açúcar existente na estrutura das cascas.

Uma tonelada de casca de eucalipto pode render cerca de 200 litros de etanol.

A casca fresca, obtida logo após o corte da madeira, possui 20% de açúcares solúveis. `Este número cai pela metade em um período de dois a três dias, pois ocorre a degradação dos açúcares na casca, por isso o ideal seria aproveitar o resíduo imediatamente após ser produzido`.

O químico explica que a casca do eucalipto possui açúcares solúveis que podem ser prontamente postos em contato com as leveduras que produzem o etanol por meio de fermentação.

O rendimento do processo de produção do etanol a partir dos resíduos de eucaliptos é semelhante ao do álcool de cana-de-açúcar. `As cascas são submetidas a uma lavagem com água a 80 graus, onde se obtém uma infusão que é posta em contato com as leveduras`, explica o químico. `Também é possível moer a casca e a realizar a fermentação com o caldo obtido, do mesmo modo que a cana`.

(Com informações da Agência Fapesp)